Dada Figueiredo há um ano atrás Dada Figueiredo há um ano atrás /Frame Video domingo, 25 outubro 2026 10:16

Morreu Dadá Figueiredo, ícone do surf brasileiro e pioneiro do estilo progressivo, aos 61 anos

 após ter estado internado com uma pneumonia. 
 
O surf brasileiro perdeu uma das suas figuras mais irreverentes e influentes. Dávio Correia Figueiredo, conhecido como Dadá Figueiredo, morreu no sábado, 24 de outubro, aos 61 anos, após ter estado internado com uma pneumonia. O surfista carioca, que revolucionou a forma de surfar no Brasil durante as décadas de 1980 e 1990, deixa um legado marcado pela criatividade, radicalidade e uma personalidade que desafiou convenções dentro e fora de água.
 

Nascido a 4 de março de 1965, no Rio de Janeiro, Dadá Figueiredo destacou-se numa geração em que o surf brasileiro começava a afirmar a sua identidade competitiva e cultural.

Com uma abordagem pouco convencional, foi um dos primeiros surfistas brasileiros a incorporar movimentos inspirados no skate, explorando batidas verticais, laybacks e rasgadas agressivas que anteciparam algumas das características do surf progressivo moderno.

Um surfista à frente do seu tempo

Dadá não seguia tendências. Criava-as.

Numa época em que o surf competitivo privilegiava linhas mais tradicionais, o carioca apostava em manobras explosivas, mudanças bruscas de direção e uma utilização radical das secções mais críticas da onda.

O seu estilo valeu-lhe o reconhecimento de outros surfistas e ajudou a abrir caminho a uma nova geração de atletas brasileiros.

Em 1989, conquistou o título de campeão carioca e venceu o Sea Club Final Heat, disputado em Saquarema. Quatro anos depois, em 1993, foi eleito o melhor freesurfer do Brasil pelos leitores de uma revista especializada.

A sua influência estendia-se também ao desenho das pranchas. Enquanto shaper, desenvolvia modelos mais curtos, estreitos e leves do que os habitualmente utilizados na época, procurando equipamentos que acompanhassem a sua abordagem radical às ondas.

Surf, punk e uma atitude de contracultura

Mais do que um atleta, Dadá Figueiredo tornou-se um símbolo da ligação entre o surf e a cultura alternativa brasileira.

Influenciado pelo punk e pelo hardcore, foi baixista da banda Os Normais e criou as marcas Anti-Fashion e Necrose Social, transportando para fora de água a mesma irreverência que demonstrava nas ondas.

A sua imagem e atitude contrastavam com os padrões dominantes do surf da época, tornando-o uma figura particularmente marcante entre os jovens que procuravam uma identidade diferente dentro da modalidade.

Uma vida marcada por desafios e recomeços

O percurso de Dadá também teve momentos difíceis. Ao longo da vida, enfrentou problemas de dependência química e passou por processos de reabilitação.

Em 1990, sobreviveu a um episódio de violência em que sofreu 12 facadas.

Mais tarde, encontrou um novo caminho pessoal, tornando-se pastor evangélico e mantendo a ligação ao oceano através do shaping e do ensino do surf.

Na Barra da Tijuca, criou uma escola de surf, partilhando com novas gerações o conhecimento acumulado ao longo de décadas.

O legado de um dos grandes revolucionários do surf brasileiro

A Federação de Surf do Estado do Rio de Janeiro (FESERJ) lamentou publicamente a morte do antigo campeão, destacando a sua contribuição para a evolução da modalidade e a influência que exerceu sobre sucessivas gerações.

Dadá Figueiredo deixa três filhos, entre os quais o também surfista Dávio Figueiredo.

A sua importância para o surf brasileiro ultrapassa os resultados competitivos. Foi um dos nomes que ajudaram a transformar a linguagem técnica e cultural da modalidade, mostrando que a originalidade, a atitude e a liberdade de expressão podiam ser tão importantes como os títulos.

O surf brasileiro despede-se de um dos seus maiores inconformistas, um homem que viveu intensamente e que deixou uma marca singular na história das ondas.

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