terça-feira, 11 agosto 2026 02:30

Novo vídeo mostra por dentro um dos resgates mais violentos já filmados na Nazaré

Daniel “Foamball” Rangel abandonou a mota de água momentos antes de ser atingido por uma enorme massa de água na Praia do Norte.

Márcio Costa, através do projeto MCYDRO, recupera uma sequência impressionante do Gigantes de Nazaré e explica, segundo a segundo, porque Daniel “Foamball” Rangel abandonou a mota de água momentos antes de ser atingido por uma enorme massa de água na Praia do Norte.

Há imagens que impressionam pelo tamanho das ondas. Outras ficam na memória porque mostram, em poucos segundos, até onde pode ir o risco numa operação de resgate em ondas gigantes.

É esse o caso de “Nazaré – Split Second”, o novo trabalho de MCYDRO, projeto de Márcio Costa, que revisita uma das sequências mais violentas alguma vez captadas com uma mota de água na Praia do Norte.

O episódio aconteceu durante o Gigantes de Nazaré, quando Willyam “Will” Santana arrancou numa onda de enormes dimensões e acabou engolido por uma massa gigantesca de espuma.

O resgate que em segundos se transformou numa situação limite

Ao localizar o surfista dentro da espuma, Daniel Rangel, conhecido por Foamball, avançou imediatamente para o resgate.Will conseguiu agarrar-se à parte traseira da mota de água, mas os dois permaneceram na zona de impacto enquanto uma nova parede de água se formava à frente.É precisamente aqui que acontece o momento mais polémico e, ao mesmo tempo, mais importante de toda a sequência.

Quando as primeiras imagens foram divulgadas, houve quem questionasse a razão pela qual Daniel abandonou a mota de água. O novo vídeo procura dar contexto à decisão.

A espuma da onda anterior começa a reorganizar-se, a mota perde velocidade e é levantada pela água. Em apenas uma fração de segundo, Daniel percebe que já não existe espaço suficiente para acelerar e escapar antes da chegada da próxima onda.

Nesse instante, a mota deixa de ser uma ferramenta de salvamento e passa a representar um perigo adicional.Permanecer junto ao veículo poderia significar ser atingido pela própria mota, ficar preso ao equipamento ou sofrer o impacto da onda juntamente com centenas de quilos de máquina.

Daniel toma então a decisão: larga a mota e mergulha diretamente para a onda.Poucos instantes depois, tanto ele como Will desaparecem completamente na espuma.

Dez a quinze minutos de enorme tensão

Will Santana acabaria por ser novamente localizado e resgatado. Daniel Rangel também conseguiu sair em segurança.

A mota de água, contudo, foi violentamente projetada através da zona de impacto em direção às arribas, sofrendo danos significativos. O trenó de resgate ficou fortemente deformado e várias tentativas posteriores para recuperar e voltar a colocar a mota em funcionamento revelaram-se infrutíferas.

Durante cerca de 10 a 15 minutos, toda a Praia do Norte ficou concentrada na situação, desde as equipas na água às pessoas que acompanhavam a ação a partir das falésias.

Felizmente, ambos sobreviveram.

Uma sequência captada por acaso na última bateria do drone

Há ainda outro elemento que torna estas imagens particularmente raras.Toda a sequência foi filmada em FPV drone, desde o momento em que Will entra na onda até ao resgate, ao abandono da mota e ao impacto final.E Márcio Costa revela que aquela era precisamente a última bateria de FPV disponível naquele dia.

Depois de várias horas a acompanhar a ação, decidiu manter o drone no ar à espera de apenas mais uma série. A intenção era simplesmente seguir um surfista numa das gigantes da Nazaré.

Will arrancou. A onda fechou. Daniel avançou para o resgate.

A partir daí, o realizador limitou-se a seguir aquilo que acontecia diante da câmara.

Sem repetição possível. Sem preparação. Sem saber antecipadamente o que iria acontecer.

Imagens que correram o mundo

A sequência acabaria por ultrapassar um milhão de visualizações e conquistou o 2.º lugar na categoria Aerial Wipeout dos Mercedes-Benz Nazaré Winter Sessions Awards.

Mas “Split Second” procura ir além do impacto visual.

O objetivo é devolver contexto a uma decisão que foi analisada milhares de vezes por pessoas que assistiram apenas a alguns segundos de vídeo.

Porque existe uma diferença enorme entre observar uma situação em segurança, depois de tudo ter acontecido, e tomar uma decisão dentro de uma onda gigante, com outra parede de água prestes a cair.

Na Praia do Norte, muitas vezes não existe uma solução perfeita. Existe experiência, instinto e, como mostra este vídeo, uma fração de segundo para escolher a opção que pode evitar algo ainda pior.

 
 
 
 

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