Michel Bourez durante a meia final com Kelly Slater Michel Bourez durante a meia final com Kelly Slater ASP/Kirstin

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quinta, 17 abril 2014 08:30

JUIZ PEDRO BARBOSA ANALISA O JULGAMENTO EM MARGARET, E NÃO SÓ

Falámos com o experiente juiz sobre os últimos julgamentos no mundo do surf profissional

 

Pedro Barbosa já leva mais de 15 anos como júri de surf, sendo o responsável máximo dos júris da principal competição nacional, a Liga MOCHE. A SurfTotal quis saber a sua opinião sobre o momento atual dos julgamentos, nomeadamente no Margaret River Pro.



Tens acompanhado o WCT nestes últimos anos?
Sim, acompanho intensivamente todas as provas do WCT e em cada prova é frequente falarmos entre os juízes portugueses de grande parte dos scores e classificações atribuídas. É através da ASP que temos a noção das alterações que surgem ao critério de julgamento.


O que tens notado na qualidade dos eventos e surfistas?
Este ano acho que existiu uma melhoria significativa dos media e da organização das provas em geral, é bom ver um circuito que cresce a todos os níveis de ano para ano. Sinal positivo nos dias que correm e tendo em conta  a situação econômica mundial e apesar das grande marcas de surf apresentarem aparentemente momentos de maior dificuldade financeira. Em termos de surf vamos ver se será o ano da renovação com Medina, Julian, Jon Jon e Jordy Smith a encabeçarem a lista.


Pedro como está o julgamento este ano na ASP?
Algumas orientações em termos de julgamento:  Uma onda para ser considerada boa entre 6 e 8 pontos, dependendo do tipo de condições tem de ter pelo menos uma manobra de qualidade superior.  A onda do Michel começou com um cutback na base depois teve uma rasgada com alguma qualidade (a melhor manobra mas não de qualidade superior ) e um Lay back realizado completamente fora da secção critica sem grande qualidade. A nota foi um bom claro, 6.77, alguns juízes deram notas de 7. Nesta prova falei bastante  com o Nuno Trigo, Juiz Português que julga actualmente as provas do WCT e pensámos num 5 alto para esta onda. A diferença no resultado foi de 0.24 entre o Kelly e o Michel. O 9.33 do Bourez foi inteiramente merecido. Estas situações devem ser discutidas dentro do seio da ASP, neste momento os montantes envolvidos o nível dos atletas e o crescimento exponencial do desporto exigem um maior comprometimento e rigor por parte do julgamento. O julgamento tem de ser profissionalizado, com a tecnologia que existe ao dispor os erros devem ser minimizados e o desporto só terá a ganhar.

O que mudou em relação ao ano passado?
O critério de julgamento não mudou. Nas interferências em heats ‘man on man’ a regra de interferência está mais exigente relativamente ao direito incondicional de surfar a onda do surfista com prioridade . Um exemplo disso foi a interferência que a Stephanie Gilmore fez no round 1 do Quiksilver Pro.

Este evento em Margaret era muito especial por ser uma onda nova e de caracteristicas diferentes de qqer outra de eventos do WCT. Concordas?
Margaret é de facto uma onda com características especiais, várias secções criticas com a possibilidade de uma finalização tb numa secção super difícil e critica. 


Há nestas situações maior potencial de erro quando se julga?
Nesta onda de Margaret a principal dificuldade reside no facto da onda ser muito distante do palanque de juízes

Quando chegamos aos quartos de final e assistimos à bateria do Slater contra o Parkinson, pareceu-nos haver algo errado! As notas atribuidas às ondas de Parko foram demasiado elevadas para o surf apresentado, tendo em conta claro as ondas do Slater. Qual a tua perspectiva?
Realmente existiram muitos comentários relativamente ao heat do Slater com o parko e tive o cuidado de ver com especial atenção. O Slater teve na sua nota mais alta um 8.43 com uma rasgada de alto nível técnico bem no pocket da onda e depois um tubo não muito profundo com saída directa para floater e para finalizar mais uma manobra sem grande expressão. Conjugação perfeita contudo a onda do Parko era uma onda maior com secções mais criticas e teve   um snap lay back mesmo na zona critica depois tem um cutback suave e finaliza com um reentry numa secção super critica.  O que fez a diferença entre as ondas foi o commitment que o Parko teve ao fazer  estas manobras em secções mais pesadas . Neste caso o julgamento pareceu-me bem e nos replays dá para ver bem a diferença entre as secções criticas destas duas ondas.

Nas meias finais houve bastante gente a por em causa a vitória de Michel sobre o Slater. Embora aqui o Michel tenha tido uma onda surfada de uma forma incrível e com power, também por erro do Slater, concordas?
Neste caso, como referi anteriormente, houve uma onda do Michel mal avaliada que pode ter tido influência no resultado, isto na minha opinião de quem viu na net e não estava no local de prova. O Slater tinha um 8.83  e um 7.10 e o Michel um 6.77, o 8.83 do Slater era a onda mais alta do dia até ao momento e o Slater estava relativamente confortável nesta posição,  mas  como se costumava  dizer “never underestimate a top 44”, e o Michel fez claramente a onda mais fenomenal do dia e venceu o seu primeiro WCT. De certa forma é muito positivo  e fiquei contente porque o Michel também é muito um produto do surf europeu.

Mais considerações? O Surf no Mundial de Juniores, assististe? A nossa Seleção, o que te pareceu? O julgamento esteve bem?
Tentei assistir a alguns heats mas não consegui acompanhar o prova   toda, também ouvi criticas relativamente ao julgamento o que a minha experiência me diz é que o julgamento em provas por seleções ainda está longe do julgamento ASP. A idéia que tenho é de que a seleção fez um bom trabalho de preparação e tem sem qualquer dúvida uma equipa muito competente à sua frente e temos cada vez mais muitos bons surfistas. Contudo 9º Lugar sabe a pouco tendo em conta que a França ficou em 2º. A minha experiência diz-me que temos de nos comparar sempre pelo menos com os melhores da Europa para depois partirmos para sermos os melhores do mundo. Os próximos tempos da seleção vão ser interessantes, aquilo que vi nos últimos anos, não tenho grandes duvidas que teremos um futuro promissor. Temos que apoiar a seleção em vez de optarmos pela critica fácil e depreciativa.



 

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