quarta-feira, 07 julho 2021 09:22

António Cortez fala sobre aquisição da Deeply com o empresário chileno Hernan Briones

a marca de surf líder em Portugal...

 

A emblemática marca portuguesa Deeply, marca de surf líder em Portugal, tem um novo diretor executivo, o português António Cortez.

Dezassete anos após a criação da marca, a Sonae vendeu a Deeply ao empreendedor português e ao empresário chileno Hernan Briones, que assume agora o cargo de “chairman” da companhia.

 

 

 

Nesta entrevista à Surftotal, António Cortez fala sobre esta nova fase da marca, a razão desta compra e o que podemos esperar dos fatos de surf da Deeply.

 

 

 

 

 

Sendo a Deeply uma marca que tem vindo a liderar as vendas no Mercado dos fatos de surf em Portugal, e sabendo que esta tem novos acionistas, queres-nos falar um pouco desta situação?

O Hernan apesar de ser originalmente do Chile, tem residência em Portugal e vive cá há já vários anos. É um empresário com bastante sucesso em várias indústrias e tem vindo a apostar cada vez mais em projetos Europeus. Já eu, António, sou Português e tenho acompanhado o Hernan em projetos que montámos juntos em vários sectores, desde a biotecnologia ao retalho, como é o caso da Deeply. Tanto o Hernan como eu, somos empreendedores com experiências bastante diferentes a este projeto onde nos encontramos agora o que nos permite ter uma visão fresca para inovar.

 

 

 

 

“Existiam muitas barreiras à entrada para novos players neste mercado,

mas a Deeply demonstrou uma forte capacidade

para poder continuar a crescer nos próximos anos.”

  

 

 

 

 

Qual a razão desta compra?

Há uma grande componente emocional por trás, tanto com o surf como com a marca. Os dois já usávamos fatos Deeply desde antes da compra devido à sua qualidade, e valorizávamos a marca. É uma marca fortemente reconhecida a nível Europeu, pela capacidade de desenvolver produtos técnicos e inovadores de alta qualidade e de forma acessível. Foram também criados vários ativos que permitem à marca ser sustentável a longo prazo. De um ponto de vista macro, está claro que os desportos outdoor estão em crescimento e o surf não é exceção. As pessoas começam a procurar alternativas aos ginásios e aos treinos indoor. Procuram algo que lhes proporcione mais para além do fitness. Existiam muitas barreiras à entrada para novos players neste mercado, mas a Deeply demonstrou uma forte capacidade para poder continuar a crescer nos próximos anos.

 

 

 

“Eu vejo o surf como uma meditação em movimento,

e tornou-se essencial para o meu bem-estar físico e mental.

Nunca imaginei que um desporto pudesse influenciar tanto a minha felicidade.”

 

 

 

 

Sabemos que há uma maior afinidade com o surf por parte destes novos accionistas da Deeply, queres-nos falar sobre isso?

O Hernan sempre praticou desportos radicais e chegou a ir aos jogos olímpicos de ski. Teve a primeira prancha de longboard do chile, oferecida por amigos havaianos e desde então criou uma ligação forte com o mar. Ainda hoje, com mais de 70 anos, continua a aventurar-se pelas praias de Portugal com a sua longboard, sendo as suas praias de eleição os Aivados e São João. Eu, apesar de ter começado a surfar tarde, hoje nos meus 30 anos, vejo o surf como uma meditação em movimento, e tornou-se essencial para o meu bem-estar físico e mental. Nunca imaginei que um desporto pudesse influenciar tanto a minha felicidade.

 

 

 

 

 

 

 

“Vamos mudar o nosso HQ para refletir aquilo que é a Deeply hoje,

e o que esperamos que venha a ser no futuro.

Uma comunidade que trabalha em conjunto perto do mar.”

 

 

 

 

A sede da Deeply vai-se manter em Portugal?

Temos imenso orgulho em saber que a Deeply é uma marca Portuguesa estabelecida no Porto e queremos reforçar a sua origem. Com isto decidimos manter a Deeply onde foi criada, e desta forma fortalecer as suas raízes. Contudo, vamos mudar o nosso HQ para refletir aquilo que é a Deeply hoje, e o que esperamos que venha a ser no futuro. Uma comunidade que trabalha em conjunto perto do mar. Queremos manter a autenticidade da marca e estar perto daquilo que mais nos inspira, o mar.

 

 

É uma nova fase? é uma nova Deeply?

Quando adquirimos a Deeply, tínhamos uma coisa bastante clara. Queríamos criar uma marca com um propósito forte. Procuramos dar a conhecer e passar às pessoas o sentimento de felicidade extrema e de flow que tanto o Hernan como eu, e todos os surfistas sentem quando estão dentro de água. Queremos igualmente reconhecer que em qualquer watersport se pode atingir isto. Seja o surf, o bodyboard ou até mesmo o kite surf. O que nos une é esta paixão e conexão pelo mar. Temos como objetivo vir a ser a marca mais “community centric” de sempre. Em nosso favor, a Deeply já tinha uma base forte. Devo referir que grande parte disto se deve a algumas das pessoas extraordinárias que trabalharam para os construir. Nesta nova fase contamos com objetivos ambiciosos, mas damos sempre prioridade ao nosso propósito e a autenticidade da marca. Procurando aproveitar todos os ativos criados até à data.

 

 

O que é que podemos esperar, agora, dos fatos “de surf” da Deeply que são usados por centenas de milhares de surfistas?

A melhor maneira que temos para transmitir o nosso propósito é através da experiência que proporcionamos à nossa comunidade dentro de água com os nossos produtos técnicos. Para isto, temos pessoas dedicadas ao desenvolvimento de produtos funcionais que tomam em consideração a biomecânica do movimento e a ciência dos mais recentes materiais e tecnologias. Existe também um grande envolvimento ao longo do tempo dos nossos atletas no desenvolvimento de produtos. Este trabalho em conjunto permite-nos levar a cabo um “all year testing” e fazer com que a inovação seja uma constante.

 

 

 

 

 

 

Haverá uma maior aposta no desenvolvimento de novas tecnologias para tornar o fato Deeply no "ultimate wetsuit"?

Como referi no início, queremos ter um forte enfoque na comunidade. Com isto vamos querer sempre oferecer aquilo que a nossa comunidade procura e criar e desenvolver produtos baseados na procura. Não queremos cair na armadilha de criar ou adicionar novos produtos só porque sim e fazer com que tanto a nossa comunidade como nós percamos o “value for money”. No que toca ao desenvolvimento dos nossos fatos, estamos a seguir os “Design Principles” para que a nossa equipa de desenvolvimento, juntamente com os nossos atletas, possam constantemente testar novos tipos de design. Em paralelo procuramos feedback junto dos nossos clientes e ouvir as suas necessidades dando igual prioridade a quem esteja a iniciar, ou alguém que nos encontre dentro de água.

 

 

Para quando novos modelos Deeply no mercado Europeu?

Estes últimos meses temos estado a testar novas tecnologias tanto a nível de material, como fizemos com o grafeno, como a nível de cortes e design técnico do fato. Sendo que isto é agora uma constante, temos vários projetos em pipeline, e podem contar já com algumas novidades na próxima coleção, sendo que estas serão consolidadas na coleção do próximo ano.

 

 

Relativamente à aquisição dos fatos de surf Deeply, estes têm vindo a estar disponíveis maioritariamente no site da Deeply, ou seja, online. Essa tendência vai-se manter? Se sim porquê?

Valorizamos muito a experiência do consumidor. Por isso, temos vindo a investir num canal mais direto, e o online é o nosso meio de eleição. No entanto, queremos reforçar a experiência dos nossos consumidores através de parcerias com as nossas surf schools. Estamos a estudar como podemos crescer fisicamente e ao mesmo tempo manter esta proximidade com o consumidor. Procuramos utilizar canais alternativos dando sempre prioridade a experiência e proximidade.

 

 

 

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