Martim Paulino a fazer gato sapato das águas quentes do Índico. Martim Paulino a fazer gato sapato das águas quentes do Índico. Foto: Arquivo Pessoal

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sexta, 02 setembro 2016 14:59

MARTIM PAULINO: “ESTE ANO O OBJETIVO FORAM AS VIAGENS E A PROGRESSÃO"

Grom português contou à Surftotal, em exclusivo, o essencial sobre a última aventura na Indonésia… 

Martim Paulino é um dos muitos “groms” portugueses que cruza regularmente a costa lusa e de quem se espera grandes feitos no futuro. O jovem surfista que faz das ondas da Costa de Caparica a sua casa, de apenas 13 anos, sonha com a profissionalização e por isso tem vindo a treinar afincadamente com vista a evoluir e melhorar cada vez mais a sua técnica e condição física. A sua última aventura durou três meses e cruzou as águas da Indonésia, com Bali, Sumbawa e Lombok na mira. Fomos ter com ele para nos contar como correu o estágio: 

 

Indonésia. Como surge a oportunidade e porquê a investida a esta zona? Qual o verdadeiro intuito? 

Era algo que estava a ser planeado há mais de um ano. Faz parte do meu projeto de formação, onde foram planeadas várias viagens aos melhores surf spots mundiais. A Indonésia é a Meca do surf, é realmente um local paradisíaco onde todas as condições estão reunidas, água quente, reefs sem crowd, ondas perfeitas onde podes treinar, evoluir e acima de tudo divertir-te muito. Por isso, a Indonésia faz parte deste projeto, é o local onde todos os surfistas vão com o mesma intenção - a de surfar altas ondas. Um dos objetivos desta viagem foi surfar ondas mais exigentes e com consequências. Os reefs da zona são perfeitos para isso, logo traduziu-se numa viagem mais longa para poder evoluir e progredir.

 

Andaste por lá bastante tempo. Quanto tempo ao certo e como correu a viagem?

Fui no princípio de junho, mal terminei os exames no colégio, e cheguei esta semana. Foram quase três meses. Correu muito bem e sem acidentes graves (risos), apenas uns pequenos cortes e alguns encontros inesperados com ouriços gigantes. Enfim, muitas histórias para contar, foi uma experiência de vida única poder viver com os indonésios, aprender a sua língua e costumes, fiz muitos amigos, amigos para a vida, ensinaram-me muita coisa importante, especialmente a partilhar o pouco que tens e a viver feliz com a alegria de pequenas coisas.

 

“Foram vários os dias e sessões de surf perfeitos em Lakey Peak e Pipe,

mas a sessão que mais me marcou foi em Periscopes

num dia com Michael e Mason Ho, Pat Curren e Dillon Perrillo"

 

 

Que ondas e sessões destacarias?

A minha viagem foi feita de carro por três das 17.500 ilhas que compõem a Indonésia: Bali , Lombok e Sumbawa. Em todas as ilhas há ondas de sonho. Bali com mais crowd e um nível de surf impressionante. Aí fiz várias sessões que vão ficar gravadas para sempre na minha memória, mas estas três acabaram por ser especiais: Uluwatu com sets de 10 pés, surfei no pico de fora, dropei as maiores ondas da minha vida, estava perfeito e havia ondas a ligar o pico do outside ao “race track" (última secção). Estavam lá o Rob Machado e o Gerry Lopez a fazerem tubos gigantes, até parecia fácil; Bingin num dia em que coloquei uma foto de Impossibles no Instagram com um line up cheio de ondas perfeitas. Estava maré vazia, mas com grande amplitude, foi um fim de tarde inesquecível, uma experiência muito intensa. Numa hora quatro pranchas partidas e seis surfistas foram parar ao hospital com cortes feios. É normal Bingin funcionar muito bem ao fim da tarde e com a maré vazia, mas nesse dia tudo esteve perfeito com tubos cilíndricos e transparentes, um pôr-do-sol mágico., ondas de 1,5 a 2 metros, como sempre os locais a dominarem o pico mas lá consegui apanhar umas boas e fiz os meus primeiros tubos de “backhand”. Fui duas vezes ao reef e estraguei a prancha, mas nada de grave que lima, pensos e resina não resolvessem. Um dia épico!; Desert Point, em Lombok, é a onda mais conhecida mas não tivemos sorte com o swell e ficou a vontade de regressar. Deixei para o fim Sumbawa onde foram vários os dias e sessões de surf perfeitos em Lakey Peak e Pipe, mas a sessão que mais me marcou foi em Periscopes num dia em que lá estavam o Michael e o Mason Ho, Pat Curren e o Dillon Perrillo. Foi clássico! Quando chegámos era ainda muito cedo e estávamos sozinhos. Estava um onshore fraco que estava a estragar os tubos de qualquer forma, mas decidimos ficar pois faltavam duas horas para a maré cheia. Entrei para a água sozinho com ondas de 1,5 metros e alguns sets de 2 metros, de vez em quando entrava um set vassoura com tamanho indeterminado. Autênticas bombas! O vento rodou e as ondas ficaram cada vez melhores, os barcos começaram a chegar e com eles um crowd de peso. Periscopes necessita de água no reef para funcionar, é na ultima hora de enchente que funciona melhor e a cada minuto o cenário compunha-se. As ondas estavam clássicas, tubos e rampas perfeitas a rolar sobre o reef. Fiz muitas ondas, mas esta acabou por ser uma sessão especial pois aprendi muito a ver grandes tubos, aéreos gigantes e combinações de manobras perfeitas, com carves layback a atirar para dentro dos tubos. Fiz o meu melhor e ficou a vontade de um dia surfar assim. Este dia também foi especial por poder surfar e partilhar o line up com Michael Ho, uma lenda viva e um senhor do surf mundial. Aloha Michael!

 

A nível competitivo, de uma forma geral, como definirias a temporada até ao momento?

Este ano o objetivo não era a competição, mas antes as viagens e a progressão. Acima de tudo, importava divertir-me. Nesse sentido não podia ter sido melhor: Califórnia em janeiro, depois Ilhas Canárias e estes três meses na Indonésia foram realmente muito bons para a progressão do meu surf. Diverti-me muito e fiz muitos amigos fora de Portugal, surfei com os melhores do mundo e usufruí de ondas de qualidade mundial, reefs, beach breaks, point breaks em condições épicas. Acho que não podia ter pedido mais.

 

“É bastante difícil e é um esforço enorme conciliar as duas coisas [estudos e surf]

com sucesso, mas tenho a noção que os estudos são essenciais ao meu futuro"

 

 

 

Que dificuldades sente um jovem surfista em conjugar os estudos e um calendário competitivo muito carregado?

Eu julgo que tenho muita sorte, porque o Colégio Campo de Flores tem uma direção com visão que aposta no surf e apoia o desporto, permitindo-me que estude, treine e pratique desporto de competição. Mesmo assim é bastante difícil e é um esforço enorme conciliar as duas coisas com sucesso, mas eu tenho a noção que os estudos são essenciais ao meu futuro. Tenho também a sorte de gostar muito do meu colégio, dos meus colegas e dos meus professores. São um grupo de pessoas espetaculares que me ajudam muito, eles são muito importantes para mim.

 

Para este ano quais os objetivos que ainda tens em mente? E para 2017? Já pensaste nisso?

O único objetivo que tinha em mente era ir à final do Volcom TCT na Califórnia, mas fiquei em terceiro lugar do ranking europeu... Fiquei feliz por terem ido o Gui [Guilherme Ribeiro] e o Afonso [Antunes], são bons amigos e foi um ano bom para os portugueses. Ainda vai haver a final nacional de sub-14, na Ericeira, em que vou participar e vou tentar o melhor resultado. Também vou participar na Taça de Portugal, na próxima semana na Figueira da Foz, e vou tentar ajudar a levar o troféu para a Costa de Caparica. A ASCC vai participar com uma equipa de peso, cheia de bons atletas da nova geração e também dos mais velhos. Estamos todos unidos e focados em fazer um resultado histórico, tanto a nível coletivo como individual. Estou seguro que vamos conquistar a taça e muitos títulos para a Caparica. 

 

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Entrevista: AF

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