Tiago Pires falou da presença lusa no surf internacional. Tiago Pires falou da presença lusa no surf internacional. Foto: WSL
quarta, 02 janeiro 2019 10:00

Tiago Pires lança desafio público a Frederico Morais

Declarações de Tiago Pires sobre os melhores surfistas portugueses da atualidade… 

  

Numa entrevista exclusiva ao Desporto ao Minuto, Tiago Pires *, um dos melhores surfistas portugueses de todos os tempos, falou sobre a carreira, a operação ao joelho a que foi sujeito recentemente, o que o move no mundo do surf e o novo recorde conseguido para a maior aula do mundo de surf que foi oficializado um pouco antes do Natal. 

 

O surfista, atualmente com 38 anos, que fez parte da elite mundial por 7 anos, falou ainda da popularidade do surf em Portugal e deixou algumas reticências sobre a presença portuguesa entre a elite mundial no futuro: “Vai ser um pouco difícil, ainda estamos um pouco distantes dessa realidade. Estamos a fazer o nosso caminho: em 2007 o primeiro português na história qualificou-se para o circuito mundial, em 2016 o Frederico Morais também se qualificou. Estamos no bom caminho, realmente o surf tem muita força neste país e o futuro avizinha-se bom. Todavia, para nos batermos com os melhores do mundo, ainda temos de percorrer alguma distância. Não digo que seja impossível, mas ainda há poucas referências que estiveram a lutar por títulos mundiais, sendo que ainda existem lacunas técnicas que temos de colmatar. É uma questão de tempo, mas não acredito que seja nos próximos cinco anos, talvez nos próximos 10 ou 15 anos tenhamos um surfista português a competir com os melhores do mundo”. 

 

Quando questionado sobre Frederico Morais, que o sucedeu nas lides do World Tour, durante 2017 e 2018, Tiago Pires não teve quaisquer dúvidas em referir que “é o melhor surfista português da atualidade”, levantando ao longo da sua análise algumas reservas sobre a sua margem de progressão. "Eu conheço-o bastante bem e sei que a sua maior virtude é a sua mente, a atitude que tem como surfista. Acredito que ele vai ter uma carreira longa neste desporto, porque é uma modalidade que vive muito da parte emocional, de sermos disciplinados e termos confiança nos momentos que realmente é preciso, e nesse aspeto ele é realmente muito forte, porque acredito que ele ainda vá ter uma carreira longa, mas não acredito que tenha armas para lutar por um top 5 ou por um campeonato do mundo."

 

 

Saca comparou mesmo Frederico Morais a Vasco Ribeiro, que corre o circuito mundial de qualificação e a quem Saca serve de mentor de carreira desde 2017. Segundo ele, “[Vasco] está muito perto do Frederico, quase a apanhá-lo”. Para o ex-surfista da elite o ideal seria um surfista que juntasse as capacidades de ambos. “Pessoalmente, acredito que se [Vasco Ribeiro] chegar ao WCT tem mais potencial e mais margem de progresso do que o Frederico Morais, mas se calhar depois não é tão forte na gestão da parte mental. Se conseguíssemos juntar o talento de um com a mente do outro provavelmente teríamos um candidato a top 5 ou top 10 mundial, mas mesmo assim acho que os dois estão aquém do nível de um candidato a campeão do mundo”, refere. 

 

As qualidades de Frederico e Vasco são enaltecidas no discurso de Saca, mas este também parece lançar um desafio público a Morais, como que motivando-o a correr atrás do prejuízo e a não olhar ou ficar simplesmente preso em recordações do passado, pois a verdade é que este acaba de falhar a qualificação e está fora da elite mundial em 2019.

 

Por seu turno, Kikas sabe que o Tour mudou muito desde os tempos de Pires e que as contas do "cut" não são bem as mesmas. Kikas também conseguiu em 2017 o melhor resultado de sempre de um surfista português no Championship Tour - o 2.º lugar no Open J-Bay. Feito, aliás, considerado por Tiago Pires como o melhor na área da competição internacional nesse mesmo ano. No entanto, inteligente como é, Morais pode pegar nas palavras do veterano da Ericeira para alimentar o fogo interior, ganhar (ainda mais) foco e começar a trabalhar o regresso ao palco principal do surf internacional. 

 

Tudo em prol do surf português. 

 

--

* Durante sete anos, entre 2008 e 2014, Saca integrou a World Championship Tour, a primeira divisão do surf mundial, a elite dos surfistas. Foi, aliás, o primeiro surfista português a conseguir tal feito. O melhor ranking da carreira foi um 21º lugar em 2010 e o melhor resultado numa etapa foram os 3.º lugares conseguidos no Rip Curl The Search em Uluwatu em 2008, no Quik Pro France em 2009 e Quik Pro Gold Coast em 2011. 

Perfil em destaque

Scroll To Top