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segunda-feira, 03 novembro 2014 19:33

MAHINA MAEDA: "EU ESTAVA DEFINITIVAMENTE CHEIA DE MEDO!"

A havaiana de 16 anos surfou as ondas grandes da Nazaré.

 

Não lhe falta coragem. Embora tenha ido até à Nazaré apenas para filmar as ondas dos amigos, a recém-coroada campeã do mundo júnior da ASP acabou por aceitar o desafio que lhe foi lançado e surfou as poderosas ondas da Praia do Norte, no âmbito do North Canyon Project. É a segunda mulher a fazê-lo, nestas condições – sets de 2 a 3 metros, e alguns de 4 e 5 metros ­-, depois de Maya Gabeira o ter feito há cerca de um ano. A SurfTotal falou com a havaiana Mahina Maeda sobre esta experiência do passado sábado.

 

O primeiro contacto – via Facebook, espantem-se – teve resposta imediata. Nas respostas, quase que lhe víamos o mesmo sorriso rasgado que esboçou na Ericeira, na passada quarta-feira, quando se tornou campeã mundial junior e assumia que não gostava de estar no centro das atenções. Mas isso será quase impossível, porque Mahena é muito mais do que aquilo que vemos. 

 

Poucos dias depois da vitória em Ribeira d’Ilhas a jovem de 16 anos seguiu para a Nazaré com outros surfistas havaianos da Hurley. Garrett McNamara estava lá para os receber. Assim foi durante alguns dias, mas no sábado, a surfista aceitou o desafio. Hugo Vau conta-nos tudo. “Foi realmente uma situação engraçada, a Mahina foi connosco para ficar numa mota a gravar umas imagens com a GoPro e estava a delirar com as ondas dos amigos, claro que um pouco receosa, pois o mar estava a subir de set para set e na praia do Norte não tem necessariamente que estar gigante para se sentir a intensidade e o power das ondas”, diz Hugo Vau.

 

“Perguntei-lhe se queria surfar e ela a princípio disse que não”, continua o big rider. “Depois lá lhe fui dando alguma motivação e perguntei-lhe onde surfava e ela disse Sunset e eu aí disse-lhe: ‘Estás habituada a surfar uma onda pesada... Tens que apanhar uma bomba hoje!’. E assim a fui convencendo”, conta ainda. “Quando o Garrett pensava em regressar para terra eu disse-lhe: ‘Acho que a Mahina quer apanhar uma onda’. E ele: ‘Really???? let's go!!’”, conta Hugo. “Pode dizer-se que foi a segunda mulher a fazê-lo. De tow-in e com aquelas condições foi na realidade”, acrescenta ainda.

 

“Confio nele [Garrett] com todo o meu coração”

Mas afinal, como se sentiu Mahina naquele momento? “Eu estava definitivamente cheia de medo!”, começa por dizer à SurfTotal. “O tio Garrett é uma pessoa que considero ser parte da minha família. O meu pai costumava fazer tow-in com ele quando eu era pequena! Ele é o detentor do record da maior onda surfada, e tem quase vivido na Nazaré nos últimos cinco anos, por isso tê-lo comigo lá fora foi uma honra! Senti-me confortável, ele conhece estas condições e eu confio nele com todo o meu coração. Na verdade, esta foi a minha segunda no tow-in e ele ensinou-me tantas coisas sobre a vida e sobre o surf e sobre como agir com este tipo de condições!”, diz sobre a sua relação com Garrett.

 

“Eu costumo surfar em Sunset, ondas entre os 10 [cerca de 3 metros] e 12 pés - 15 [4,5 metros] às vezes -, semelhantes às que encontrei na Nazaré. Mas o poder e a beleza da Nazaré são tão únicos, que diferem de tudo o que já surfei”, confessa.

 

Mahina continua: “Foi uma experiência completamente nova e vou agarrar no conhecimento que o Garrett me transmitiu e levá-lo comigo para todos os lugares. Sinto-me tão abençoada por tê-lo ao meu lado, mas também estou realmente feliz porque ele me deu aquele empurrão para lá chegar, com o meu tempo, e porque me disse para não temer nada. Apenas me divertir. E foi o que eu fiz, entrei naquele mar e venci o meu medo”, aponta a nova campeã do mundo júnior.

 

Para Maeda, a principal lição que tira desta experiência “é o respeito que temos de ter por qualquer onda, por qualquer tipo de surf, em qualquer momento das nossas vidas”. “Nunca ir além dos meus limites, mas ficar na minha zona de conforto e lentamente sair dessa zona para me desafiar a mim mesma. ‘Mahalo’ [Obrigada] à Nazaré por me proteger e aos meus amigos e ‘mahalo’ ao Garrett e à sua equipa pela segurança que nos transmitiu quando estava lá fora”, conclui Mahina Maeda.

 

Patrícia Tadeia

 

 

 

 

 

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