CARISSA MOORE CONTRA A SEXUALIZAÇÃO DO SURF FEMININO Francisco Santos

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quarta, 15 janeiro 2014 10:29

CARISSA MOORE CONTRA A SEXUALIZAÇÃO DO SURF FEMININO

Campeã do mundo escreveu uma carta aberta

 

Transcrevemos a missiva da campeã do mundo, enviada à Surfer Magazine, onde dá conta do caminho que pretende para o surf feminino, para que seja, acima de tudo, visto como um desporto, e as suas competidoras como atletas profissionais.

"Foi um ano excitante. A Tyler Wright e eu andámos a trocar de posição no rating o ano todo, e o título só se decidiu no último dia do último evento - quem sobrevivesse mais tempo dançaria com o champanhe. Ainda não acredito que já acabou tudo e que tenho o meu segundo título de campeã do mundo no bolso.

Para quem não tem estado com atenção, há uma par de coisas que devem saber. As raparigas no Tour são seres humanos bonitos - por dentro e por fora. Mas também 'rasgam', e são grandes representantes do nosso desporto. Viajamos pelo mundo, perseguimos os nossos sonhos, e fazemos o que amamos. Há muitas influências negativas a quererem transformar as mulheres em algo que não são. Todas nós representamos um estilo de vida ativo e saudável, e cada uma de nós tem características únicas: a Courtney Conlogue é uma grande artista, a Steph Gilmore adora fazer música, a Sally Fitzgibbons é uma fanática por desporto, a Sage Erickson adora moda, e a lista continua. Acredito que todas as mulheres do tour têm um 'fator x' com que todas as raparigas do mundo se podem relacionar e sentir inspiradas.

Tenho consciência que existe uma audiência masculina. As mulheres são sexy e aprazíveis ao olhar. A Alana Blanchard trouxe milhares de olhares para o desporto por usar bikinis reduzidos. O que eu quero é que as pessoas percebam que ela é uma atleta e que leva o que faz muito a sério. Há uma linha muito ténue em relação à sexualização do nosso desporto. Se houver exageros, perdemos o respeito, mas há formas de publicitar as raparigas com bom gosto.

Eu não vou usar bikinis minúsculos. Essa não sou eu. Vou continuar com uma abordagem mais atlética. Adoro surfar, e quero inspirar as pessoas através do meu surf. Admito que, há dois anos, fiz uma sessão fotográfica mais sensual para uma revista (embora tivesse o cuidado de usar mais roupa do que tinha visto outras raparigas fazer em sessões similares). Olhei para as fotografias e eram lindas - provavelmente algumas das melhores fotos que já tinha visto de mim própria. Mas depois pensei, 'As raparigas mais novas olham para mim como um exemplo por não fazer este tipo de coisas'. Eu uso roupa.

 

Sou sexy porque deixo coisas para a imaginação, e deixo que o meu surf fale por mim. Acabei por cancelar tudo. As fotos nunca chegaram a ser publicadas. Aquela não era eu. Mas isso não significa que a abordagem da Alana ou de outras raparigas seja má - aliás, acho ótimo que apelem a um público diferente. É bom para o nosso desporto.

Acima de tudo, quero deixar um Tour a prosperar para a próxima geração. O meu ano de rookie em 2010 foi o último em que tivémos o Triple Crown. Foi a última vez que tivémos um evento no Havai. Nos últimos três anos o Tour acabou em beach breaks na Europa ou na Califórnia. Eu adorava que a época acabasse em grande no Havai, com ondas poderosas e desafiantes. Acredito que o World Championship deveria ser variado. As melhores surfistas deveriam surfar ondas pequenas, ondas grandes, tubos, ondas de alta performance, beach breaks e reef breaks.

Neste momento, a maior parte do Tour acontece em beach breaks pequenos. Este ano foi fantástico ver mulheres a remar para ondas de 2,5 metros em Margaret River, e em Bells Beach tivémos ondas de qualidade com a possibilidade de manobrar.
Em todos os heats as raparigas fizeram grandes manobras e tiveram grandes notas, e toda a gente comentava como estávamos a surfar bem. Falou-se que a FUEL TV teve uma das audiências mais elevadas nos dias que surfámos. Quem é que não quer ver mulheres lindas a destruir ondas perfeitas? Acredito que existe procura, e espero que no futuro tenhamos mais ondas par mostrar o que realmente somos capazes. Estou entusiasmada com a adição da etapa em Lower Trestles, e fala-se em acrescentar mais um par de breaks de qualidade. Oxalá possamos partilhar o nosso surf com uma audiência maior, através dessas mudanças. Estou com fé que no próximo ano o Tour vai ter grandes ondas, porque sei que as mulheres vão estar à altura do desafio", concluiu Carissa!

 

 

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