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sexta-feira, 23 outubro 2020 11:00

HABITANTES DE TEAHUPOO PREOCUPADOS COM O IMPACTO AMBIENTAL QUE PODERÁ SER CAUSADO AO HOSPEDAREM O SURF OLÍMPICO  

Em 2024...

A organização dos Jogos Olímpicos de Paris escolheu Teahupoo para hospedar o surf devido à consistência de ondas no Tahiti durante os meses de verão, em oposição às praias da costa francesa que também tinham sido submetido as suas propostas para receber a elite mundial de surf em 2024.

 

Os 15,700 quilómetros que separam o Tahiti da capital francesa foi, inicialmente, visto como um entrave, devido à grande distância e ao facto de não ser uma escolha amiga do ambiente em termos da pegada de carbono, uma vez que um voo de Paris à Polinésia tem uma duração de 20 horas, mas essa preocupação foi  descartada sob o argumento de que apenas 48 surfistas competiriam - 24 homens e 24 mulheres - e alguns viriam da Austrália ou da Nova Zelândia, portanto não precisam viajar muito.

O Tahiti tem sido palco de uma das mais entusiasmantes etapas do Championship Tour (CT), o Tahiti Pro Teahupoo, e embora os habitantes de Teahupoo estejam habituados a ver a competição na vila e orgulhosos da escolha do local para hospedar o surf olímpico em 2024 também têm as suas reservas em relação ao impacto ambiental que este terá.

 

 

Griffin Colapinto em Teahupo'o   Foto: Matt Dunbar/WSL 

 

 

Embora o presidente da Polinésia Francesa, Edouard Fritch, tenha dito que a natureza do local será preservada tanto quanto possível, sendo que a ecologia e os princípios do desenvolvimento sustentável estarão no centro do projeto, muitos dos locais estão reticentes e acreditam que o governo quer transformar a onda num produto económico.

Preocupada com o impacto que os jogos olímpicos possam vir a ter na vila, a comunidade local criou o Mata Ara ia Teahupoo 2024, uma organização sem fins lucrativos com o intuito de proteger o ecossistema local de eventuais agressões que poderão vir a acontecer com a realização do evento.

A organização quer que haja transparência e que possa ser ser incluída nas decisões sobre a infraestrutura que será implementada, que poderá consistir em estradas de duas faixas, uma ponte para carros, uma praia suspensa para acomodar o público, criação de estacionamentos, pontões flutuantes, arquibancadas flutuantes, vila olímpica de 24 unidades habitacionais, pavilhão polidesportivo, heliponto e área de atracação.

“Parte de mim fica orgulhoso ao ouvir que vamos receber os Jogos Olímpicos. Mas fico triste por perceber a infraestrutura que um evento destes implica”, disse Tahurai Henry, um dos porta-vozes da organização

 

 

Tahurai Henry      Foto: romualdpliquet

 

 

“Temos um playground maravilhoso para os nossos filhos e não queremos que tudo isso seja tocado. Os nossos rios estão limpos e temos medo de uma possível mudança por causa destas Olimpíadas. Somos nós que vivemos com isso antes e depois de apenas alguns dias de competição. Não queremos que o nosso pequeno paraíso seja destruído. Queremos continuar a viver em harmonia com a mãe natureza”.

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