Teenagers Australianos reagem de formas diferentes Fonte - BBC NEWS segunda-feira, 12 janeiro 2026 08:54 “Sinto-me livre”: um mês depois, jovens Australianos dividem-se sobre o impacto do banimento das redes sociais
Um mês após a entrada em vigor do banimento das redes sociais para menores de 16 anos na Austrália, ...
...os primeiros efeitos começam a tornar-se visíveis — e as reações são tudo menos consensuais. Para alguns jovens, a medida trouxe alívio, mais tempo livre e maior consciência do uso do telemóvel. Para outros, pouco ou nada mudou.
A legislação, que entrou em vigor a 10 de dezembro de 2025, obriga plataformas como Instagram, TikTok, Facebook e Snapchat a impedir o acesso de utilizadores com menos de 16 anos, sob pena de multas que podem chegar aos 49,5 milhões de dólares australianos. O Governo justificou a decisão com a necessidade de combater o bullying online, a exposição a conteúdos nocivos e o contacto com predadores digitais.
“Já não sinto aquela pressão constante”
Amy, de 14 anos, é um dos rostos que ilustram o lado positivo da medida. Um mês depois do bloqueio, diz sentir-se “mais livre” e menos dependente do telefone.
“No início, por instinto, ainda tentava abrir o Snapchat assim que acordava”, escreveu num diário que manteve nos primeiros dias após o banimento. Mas rapidamente essa necessidade foi desaparecendo.
A jovem conta que o fim das chamadas streaks — uma funcionalidade do Snapchat considerada altamente viciante — teve um impacto imediato. “Deixei de sentir a pressão de estar sempre presente. Isso libertou-me.”
Hoje, Amy usa menos o telemóvel, corre mais, lê, faz exercício físico e passa mais tempo sozinha — algo que, segundo a mãe, parece deixá-la confortável e serena.

Quando nada muda… ou muda para pior
Nem todos tiveram a mesma experiência. Aahil, de 13 anos, continua a passar cerca de duas horas e meia por dia online. Apesar do banimento, mantém contas ativas com datas de nascimento falsas e utiliza sobretudo plataformas de jogos como Roblox e Discord, que não estão abrangidas pela lei.
Para ele, “não mudou praticamente nada”. Já a mãe nota alterações no humor: “Está mais fechado e passa mais tempo a jogar videojogos”.
Segundo a psicóloga do consumidor Christina Anthony, este tipo de reação pode ser esperado. “Para muitos adolescentes, as redes sociais funcionam como mecanismos de regulação emocional. Quando esse acesso é interrompido, podem surgir irritação, inquietação ou sensação de desconexão social.”
Snapchat fora, WhatsApp dentro
Um efeito transversal identificado entre vários jovens foi a migração para plataformas não abrangidas pela lei, como WhatsApp e Messenger, utilizadas sobretudo para manter contacto com amigos que perderam acesso às redes tradicionais.
Para a especialista, isso confirma que o verdadeiro atrativo das redes sociais não é o scroll, mas a experiência partilhada. “Sem amigos presentes, o valor emocional da plataforma diminui drasticamente.”
Apps alternativas, VPNs e o medo de ficar de fora
Antes da entrada em vigor do banimento, milhares de jovens descarregaram aplicações alternativas como Lemon8, Yope ou Coverstar. O fenómeno está ligado ao chamado comportamento compensatório e ao medo de ficar de fora (FOMO). No entanto, o interesse caiu rapidamente.
Também se registou um aumento temporário no uso de VPNs para contornar a lei, mas os números regressaram a níveis normais. Segundo analistas, estas soluções têm pouco apelo entre adolescentes, já que implicam começar do zero em termos de contactos e conteúdos.
O papel dos videojogos
A exclusão de plataformas de gaming do banimento gerou críticas. Especialistas alertam que muitos jovens utilizam jogos online como espaços sociais. Ainda assim, entrar nesse universo exige mais competências técnicas e culturais do que criar uma conta numa rede social, o que pode limitar essa migração.
Um modelo observado pelo mundo
O Governo australiano afirma que a medida “está a fazer a diferença” e garante que vários países estão a observar o modelo com interesse. Um relatório oficial sobre o impacto do banimento deverá ser divulgado nas próximas semanas.
Para Amy, o balanço é simples: “O tempo que passava a reagir a notificações agora é tempo que uso para mim.” Já a mãe mantém cautela: “Ainda é cedo para saber se esta mudança será positiva ou negativa a longo prazo. Só o tempo dirá.”
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