Tecnologia russa promete revolucionar piscinas de ondas com modelo low-cost
Sistema pneumático da Vertigo Sports pode reduzir drasticamente os custos das wave pools e abrir o surf a novos mercados
A corrida global pela tecnologia das piscinas de ondas artificiais ganhou um novo concorrente inesperado. Uma empresa russa, a Vertigo Sports, está a desenvolver e a operar um sistema de geração de ondas que promete reduzir drasticamente os custos das tradicionais wave pools, muitas delas construídas com investimentos que ultrapassam dezenas de milhões de euros.
A empresa, que inicialmente se dedicava ao desenvolvimento de parques de wakeboard, já colocou em funcionamento duas piscinas de surf artificial na Rússia, uma na região de Rostov, perto da fronteira com a Ucrânia, e outra na região de Leningrado, perto da Finlândia.
Ondas geradas por sistema pneumático
A principal inovação deste sistema está no mecanismo de geração de ondas. Ao contrário de tecnologias como Wavegarden, ou Surf Ranch (Kelly Slater Wave Company) que utilizam sistemas mecânicos complexos, a tecnologia russa recorre a câmaras pneumáticas.
Segundo Pavel Churin, responsável pelo projeto, o sistema utiliza compartimentos cheios de ar posicionados acima da superfície da água que libertam pressão para gerar as ondas.
“O nosso sistema utiliza câmaras pneumáticas e não depende de braços mecânicos. As câmaras ficam acima da água e estão ligadas à piscina através de aberturas submersas”, explicou o responsável à WavePoolMag.
O resultado são ondas que podem atingir entre 1,5 e 1,7 metros, geradas aproximadamente a cada dois minutos, permitindo cerca de 30 ondas por hora.
Piscinas já em funcionamento
A primeira piscina, chamada More Volnuetsa, abriu em 2024 na região de Rostov. O projeto inclui uma onda direita que quebra ao longo de uma piscina com 85 metros de comprimento.
Já a segunda instalação, Water and Surf, inaugurada em 2025 na região de Leningrado, produz uma onda esquerda com até 1,7 metros de altura numa piscina com 120 metros.
Segundo a empresa, o objetivo é continuar a desenvolver a tecnologia e criar ondas ainda maiores, com planos para atingir 3 metros de altura, algo que ainda não foi alcançado em piscinas de surf artificiais.
Surf olímpico como objetivo estratégico
Para os responsáveis do projeto, as piscinas artificiais podem ser uma peça-chave no desenvolvimento do surf em países sem acesso ao mar.
Desde 2020, quando o surf entrou oficialmente no programa olímpico, várias nações começaram a investir em infraestruturas artificiais para treinar atletas em condições controladas.
“As ondas artificiais abrem oportunidades revolucionárias para o desenvolvimento do surf na Rússia e em países sem acesso ao oceano”, refere a empresa.
As piscinas podem funcionar como centros de treino olímpico, academias de surf ou locais de competição, oferecendo ondas previsíveis e constantes durante todo o ano.
Um projeto com obstáculos políticos
Apesar da aposta tecnológica, o caminho da Rússia no surf internacional enfrenta atualmente um obstáculo importante: os atletas russos continuam banidos das competições da International Surfing Association (ISA) devido à guerra na Ucrânia.
Essa suspensão impede, para já, a participação de surfistas russos em eventos qualificativos para os Jogos Olímpicos.
Ainda assim, o desenvolvimento destas infraestruturas mostra que a corrida global pelas piscinas de ondas artificiais continua a acelerar, com novas soluções tecnológicas a tentar tornar o surf artificial mais acessível e economicamente viável.
Se a promessa de custos mais baixos se confirmar, esta tecnologia poderá abrir caminho para centenas de novas wave pools em todo o mundo, mudando o paradigma atual dominado por projetos multimilionários.






