Ondas pequenas mas perfeitas garantiram muito interesse e emoção no segundo dia do New Zealand Pro

 Jack Robinson voltou a vencer Kauli Vaast num duelo intenso, Carissa Moore garantiu novo lugar nos quartos de final e Yago Dora assinou a melhor pontuação do evento em Raglan.

 

O segundo dia do Corona Cero New Zealand Pro ficou marcado por ondas pequenas, mas desafiantes, em Manu Bay, onde foram disputados 16 heats que definiram os quartos de final femininos e a Ronda 3 masculina.

A competição regressou este domingo(Sábado à noite em Portugal)a Manu Bay, em Raglan, para o segundo dia do Corona Cero New Zealand Pro Presented by Bonsoy, quarta etapa do Championship Tour 2026 da World Surf League.

Depois de um dia de pausa devido à falta de ondas, Raglan voltou a ganhar vida com condições limpas, mas lentas e exigentes, com ondas entre os dois e quatro pés. Mesmo sem grande consistência, Manu Bay permitiu completar 16 heats, definindo os quartos de final femininos e a Ronda 3 masculina.

A próxima chamada está marcada para segunda-feira, 18 de maio, às 7h15 locais, para um possível início às 7h35 em Manu Bay. Em Portugal continental, isso corresponde a domingo, 17 de maio, pelas 20h15, com possível arranque às 20h35.

Robinson volta a bater Vaast

Um dos grandes momentos do dia foi o novo confronto entre Jack Robinson e Kauli Vaast, repetindo mais um capítulo da rivalidade que ganhou força nos Jogos Olímpicos de Paris 2024.O duelo sorriu ao australiano, medalha de prata olímpico, que bateu o campeão olímpico francês num heat decidido por margens muito curtas.

 

Vaast chegou a responder com a melhor onda individual do evento até então, um 9.00, construído com fortes ataques de frontside. Mas Robinson não demorou a reagir. Na onda seguinte, somou um 7.93 a um 8.17, fechando o heat com 16.10 pontos e garantindo a passagem à Ronda 3.

“Vi o set a chegar e percebi que ele ia apanhar uma onda muito boa. Tinha de garantir que também estava numa daquelas ondas para responder”, explicou Robinson. “Aqui o timing é o mais importante. Se acertares no timing, o resto acontece.”

Yago Dora fez a melhor pontuação do evento

O campeão mundial em título Yago Dora entrou em grande na sua estreia competitiva na Nova Zelândia. O brasileiro precisou apenas de duas ondas para somar 17.76 pontos, a melhor pontuação total do evento até ao momento.Dora abriu com um 8.83, que incluiu um air reverse, e confirmou o domínio com um 8.93, numa demonstração de variedade, velocidade e leitura das longas esquerdas de Manu Bay.

“É como uma reparação histórica poder ir para a esquerda e performar numa esquerda como goofy-footer”, afirmou Dora. “Sinto-me livre e feliz a surfar esta onda.”

Também Italo Ferreira avançou na prova, derrotando Seth Moniz com uma abordagem mais agressiva e intensa. O campeão mundial brasileiro somou 13.33 pontos e confirmou o bom momento dos surfistas brasileiros em Raglan.

 

Carissa Moore mostra força no regresso

No quadro feminino, Carissa Moore voltou a mostrar porque continua a ser uma das grandes referências do surf mundial. A havaiana venceu Lakey Peterson num duelo entre veteranas do CT, garantindo o seu segundo espaço nos quartos de final nesta temporada de regresso.Depois de um heat lento durante grande parte do tempo, Moore aproveitou a melhoria das condições nos últimos minutos para impor o seu backside poderoso. A cinco vezes campeã mundial fechou com um 8.83, a melhor onda feminina do evento até agora, e um total de 15.33 pontos.

“O heat demorou muito a arrancar. Eu e a Lakey preferimos quando tudo se decide pelo surf e não tanto pela estratégia”, disse Moore. “A onda acabou por nos dar oportunidades e tivemos sorte com a melhoria das condições.”

 

Liderança feminina em aberto

A luta pela licra amarela feminina ficou em aberto depois da eliminação de Luana Silva. A brasileira, que competia pela primeira vez como número um mundial, perdeu por margem mínima frente à bicampeã mundial Tyler Wright, num dos heats mais tensos do dia.Luana fez a melhor onda do confronto, um 6.00, mas não conseguiu encontrar uma nota de apoio suficiente. Precisava apenas de 3.00 nos segundos finais, mas a última tentativa valeu 2.77, permitindo a Wright avançar com 9.00 contra 8.93.

“Estou tão surpreendida como qualquer pessoa por ter passado este heat”, admitiu Wright. “Cada decisão podia significar ganhar ou perder.”

Com este resultado, Gabriela Bryan e Molly Picklum passam a ter oportunidade de lutar pela liderança do ranking em Raglan. Ambas garantiram presença nos quartos de final pela quarta vez consecutiva em 2026.

Bryan venceu Erin Brooks num duelo apertado, enquanto Picklum superou Vahine Fierro. A havaiana destacou a importância da preparação antecipada na Nova Zelândia e a mudança de mentalidade depois dos primeiros eventos da época.

“Não é meu para perder, é meu para ganhar”, afirmou Bryan.

Goofy-footers americanas em destaque

O dia foi também positivo para as goofy-footers norte-americanas. Sawyer Lindblad eliminou a oito vezes campeã mundial Stephanie Gilmore, somando 14.44 pontos com fortes manobras de frontside e ataques verticais. A jovem californiana, que tem sido uma das atletas mais consistentes da temporada, mostrou-se satisfeita por competir numa esquerda de alta performance.

“Estou muito feliz por a WSL ter colocado uma esquerda surfável no Tour. Seria um sonho vencer numa onda divertida como esta”, disse Lindblad.

Também Caroline Marks avançou, batendo a rookie francesa Tya Zebrowski com uma prestação sólida ao final do dia. Marks enfrentará agora Carissa Moore num dos grandes duelos dos quartos de final.

Alyssa Spencer completou o trio norte-americano, ao eliminar a campeã mundial Caity Simmers num heat lento, em que Simmers apanhou apenas uma onda.

 

Fioravanti elimina Mateus Herdy nos últimos segundos

No quadro masculino, Leonardo Fioravanti protagonizou uma das viragens do dia ao eliminar Mateus Herdy nos instantes finais.O italiano esperou pacientemente por uma onda com potencial, enquanto Herdy ia construindo a sua pontuação. Depois de arrancar com um 7.33, Fioravanti ainda precisava de 4.41 a menos de minuto e meio do fim. Encontrou uma onda mais pequena, mas com secções suficientes para somar 5.50 e roubar a vitória ao brasileiro.

“Fui all-in naquela última onda”, disse Fioravanti. “O Mateus é um surfista incrível e sabia que ia dar luta. Estou grato por aquela onda ter aparecido.”

Fioravanti enfrentará agora Cole Houshmand, que também venceu nos últimos segundos diante de Samuel Pupo, garantindo a sua primeira vitória em heats nesta temporada.

 

Ronda 3 masculina definida

A próxima fase masculina terá confrontos de grande interesse, incluindo um duelo entre irmãos, com Crosby Colapinto frente a Griffin Colapinto, e um confronto brasileiro de peso entre Gabriel Medina e Filipe Toledo.

Ronda 3 masculina

Heat 1: Crosby Colapinto vs. Griffin Colapinto
Heat 2: Gabriel Medina vs. Filipe Toledo
Heat 3: Liam O’Brien vs. Morgan Cibilic
Heat 4: Rio Waida vs. Alejo Muniz
Heat 5: Yago Dora vs. Marco Mignot
Heat 6: Cole Houshmand vs. Leonardo Fioravanti
Heat 7: Italo Ferreira vs. Kanoa Igarashi
Heat 8: Jack Robinson vs. Miguel Pupo

Quartos de final femininos

Heat 1: Gabriela Bryan vs. Alyssa Spencer
Heat 2: Tyler Wright vs. Sawyer Lindblad
Heat 3: Molly Picklum vs. Bettylou Sakura Johnson
Heat 4: Carissa Moore vs. Caroline Marks

  • Créditos fotos: WSL / Rambo Estrada - WSL / Ed Sloane

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