Queda de gigantes em Teahupo’o: líderes mundiais, campeões olímpicos e lendas eliminados antes dos quartos

uma autêntica razia entre alguns dos principais nomes da prova.

O Outerknown Tahiti Pro viveu, esta madrugada de quarta feira em Portugal, uma jornada marcada por eliminações de peso em Teahupo’o. Gabriela Bryan, Caroline Marks, Kauli Vaast, Carissa Moore, Kelly Slater e João Chianca ficaram pelo caminho num dia em que vários outsiders e rookies desafiaram a hierarquia do Championship Tour. Yolanda Hopkins voltou a estar entre as protagonistas e garantiu o melhor resultado da temporada.

A aproximação ao Finals Day do Outerknown Tahiti Pro Presented by I-SEA, sétima etapa do Championship Tour (CT) da World Surf League, provocou uma autêntica razia entre alguns dos principais nomes da prova.Com ondas de quatro a seis pés, por vezes maiores, e condições suficientemente tubulares para separar quem estava disposto a arriscar, foram disputados 16 heats, concluindo-se a segunda ronda feminina e a terceira ronda masculina.

E as surpresas sucederam-se.

Gabriela Bryan eliminada e luta pelo título mundial reaberta

Talvez a eliminação com maiores consequências para o campeonato tenha sido a de Gabriela Bryan.

A havaiana chegou ao Taiti como número 1 mundial, mas encontrou pela frente uma inspirada Anat Lelior. A israelita entrou imediatamente num tubo limpo de frontside no West Bowl e colocou Bryan sob pressão desde os primeiros minutos.

Lelior ainda encontrou um segundo tubo e deixou a líder do ranking em situação de combinação já perto do final, carimbando a sua segunda presença de sempre nos quartos de final do CT.

A eliminação de Bryan, juntamente com a queda de outras surfistas do Top 5, deixa a campeã mundial Molly Picklum como a única representante das cinco primeiras do ranking ainda em prova, abrindo novas possibilidades na corrida pelo título mundial.

Aos 14 anos, Kelia Gallina volta a derrubar uma campeã mundial

Se havia dúvidas de que Kelia Gallina poderia ser uma das histórias deste Tahiti Pro, desapareceram definitivamente.

A wildcard taitiana de apenas 14 anos voltou a fazer história.

Depois de eliminar a bicampeã mundial Tyler Wright na ronda inaugural, Gallina derrubou agora Caroline Marks, campeã mundial de 2023, vencedora do Tahiti Pro nesse mesmo ano e campeã olímpica em Teahupo’o nos Jogos de Paris 2024.

E não se limitou a sobreviver ao heat.

Gallina encontrou saídas em tubos extremamente difíceis e esteve muito perto de completar outra onda que, segundo a própria WSL, poderia ter rivalizado com algumas das melhores ondas alguma vez surfadas por mulheres em competição em Teahupo’o.

Na sua quarta bateria de sempre no Championship Tour, a adolescente está nos quartos de final.

Kauli Vaast cai em casa

Outra das grandes surpresas aconteceu no masculino.

Kauli Vaast, campeão olímpico em Teahupo’o e um dos maiores especialistas do mundo nesta onda, foi eliminado pelo mexicano Alan Cleland.

Vaast, segundo classificado no Tahiti Pro de 2022 e vencedor do ouro olímpico em 2024 precisamente neste reef, era naturalmente um dos grandes favoritos à vitória.

Cleland não se intimidou.O mexicano atacou uma das ondas mais pesadas do heat logo na fase inicial e recebeu 7,67 pontos. Vaast ainda controlou parte da bateria, mas uma segunda pontuação de Cleland perto do final consumou uma das maiores surpresas do dia e colocou o mexicano nos quartos de final.

Carissa Moore também fica pelo caminho

A lista de campeãs mundiais eliminadas não terminou aí.

A cinco vezes campeã mundial Carissa Moore perdeu para Erin Brooks, de apenas 19 anos.

Brooks construiu a vantagem com dois tubos de frontside, avaliados em 6,50 e 5,33 pontos. Moore respondeu perto do final com um pesado tubo de 7,67, ficando novamente em posição de discutir a vitória, mas já não encontrou a onda necessária.

Para Brooks, o triunfo teve um significado especial: é a sua primeira presença nos quartos de final esta temporada.

Kelly Slater travado por Jack Robinson

Depois de proporcionar um dos momentos da prova ao eliminar categoricamente Gabriel Medina, a extraordinária campanha de Kelly Slater, wildcard aos 54 anos, terminou diante de Jack Robinson.

O australiano encontrou a onda do heat e atravessou um longo tubo para receber 9,17 pontos, deixando Slater numa combinação de 15 pontos.

O 11 vezes campeão mundial ainda mostrou por que razão venceu cinco vezes em Teahupo’o: a três minutos do final encontrou um tubo avaliado em 7,83, voltando a colocar alguma pressão sobre Robinson. Mas já não houve tempo nem oportunidade para completar a recuperação.

Pelo caminho, Slater partiu ainda a sua segunda prancha desta edição do Tahiti Pro.

Robinson reencontrará agora Griffin Colapinto nos quartos, numa repetição da final do Tahiti Pro de 2025. O norte-americano voltou a impressionar e assinou a melhor soma do dia, 16,67 pontos, para eliminar Miguel Pupo.

João Chianca também eliminado

Outro candidato forte que ficou pelo caminho foi João Chianca.

O brasileiro reencontrou Ramzi Boukhiam numa reedição do memorável confronto entre ambos nos Jogos Olímpicos de Paris 2024, mas desta vez foi o marroquino a levar a melhor.

Boukhiam encontrou os tubos mais fundos e pesados da bateria, somando uma onda de 8,00 e outra de 6,00, garantindo presença no Finals Day.

Yolanda Hopkins continua a desafiar a elite

No meio da sucessão de surpresas, Yolanda Hopkins voltou a colocar Portugal entre os grandes protagonistas de Teahupo’o.

Depois de eliminar a oito vezes campeã mundial Stephanie Gilmore na primeira ronda, a portuguesa voltou a mostrar uma enorme adaptação às características da onda e venceu Luana Silva, número 4 mundial à entrada da prova.

Hopkins está assim nos quartos de final, alcançando já o seu melhor resultado da temporada de estreia no Championship Tour.

A portuguesa faz parte de uma impressionante ofensiva das rookies, juntamente com Nadia Erostarbe e Anat Lelior, responsáveis por algumas das maiores eliminações desta ronda.

Caity Simmers lança aviso com um 9,00

Nem todas as favoritas vacilaram.

Caity Simmers entrou finalmente em competição e precisou de muito pouco tempo para mostrar ao que vinha. A campeã mundial de 2024 atacou um pesado West Bowl, desapareceu profundamente no tubo e saiu no canal para receber 9,00 pontos, a melhor onda feminina da prova até ao momento.

Simmers eliminou Brisa Hennessy e confirmou-se como uma das grandes ameaças para o Finals Day.

 

Com Yellow Alert lançado para o Finals Day, Teahupo’o chega à fase decisiva depois de uma jornada que alterou profundamente o quadro competitivo. Entre campeões mundiais, campeões olímpicos, líderes do ranking e especialistas da onda eliminados, uma coisa ficou clara: no Taiti, currículo não garante passagem à ronda seguinte.

  • Créditos fotos: WSL / Matt Dunbar - Hanna Handerson

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