Foto da Praia de Matosinhos tirada este dia 8 de Fevereiro Foto da Praia de Matosinhos tirada este dia 8 de Fevereiro domingo, 08 fevereiro 2026 13:32

Matosinhos transformada numa praia Rochosa? O que se passa com a areia da praia e que papel pode ter o quebra-mar de Leixões?

Uma foto enviada à Surftotal reacendeu o debate sobre erosão e alterações no transporte de sedimentos.

 

Uma imagem partilhada nas últimas horas mostra a Praia de Matosinhos com extensas zonas de rocha e calhau expostas, onde habitualmente existe areal. O registo voltou a colocar no centro da conversa as alterações na dinâmica costeira junto ao Porto de Leixões e os possíveis impactos do prolongamento do quebra-mar exterior.


A Praia de Matosinhos “transformou-se numa praia rochosa”? A pergunta, lançada com base numa fotografia enviada, é legítima — mas a resposta exige mais do que um instantâneo. Em pleno inverno atlântico, com sucessões de ondulação forte e marés vivas, é relativamente comum haver recuo temporário do areal e exposição do fundo (rocha/calhau). Ainda assim, quando estes episódios se repetem ou se prolongam, tornam-se um sinal de alerta para algo mais estrutural: alterações no balanço de sedimentos (entrada/saída de areia) e na forma como a energia das ondas se distribui ao longo da costa.

O tema ganha particular relevância em Matosinhos porque, há vários anos, se discute a relação entre a evolução do litoral e as intervenções em Leixões. Em 2020, a Câmara de Matosinhos defendeu publicamente que o avanço do prolongamento do quebra-mar deveria acontecer apenas após estarem concluídos os estudos ambientais associados ao conjunto das intervenções previstas, sublinhando a necessidade de garantias e acompanhamento. (RTP)
Também existem referências técnicas do LNEC sobre o projeto e soluções associadas ao prolongamento do quebra-mar exterior. (LNEC)

 

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Comentários enviados à Surftotal apontam diretamente responsabilidades a entidades e empresas ligadas às obras. Convém, no entanto, separar perceções de evidência: uma empresa construtora executa um projeto adjudicado; estabelecer uma ligação causal entre obra e alterações na praia implica dados de monitorização costeira (perfis de praia, batimetrias, séries temporais) e uma análise técnica do transporte sedimentar antes e depois das intervenções.

O que pode explicar rocha exposta numa praia como Matosinhos?

Sem dramatizar, há quatro hipóteses (que podem coexistir):

  1. Efeito de inverno/temporais: a areia “sai” do perfil de praia e acumula-se em bancos submersos, regressando com condições mais calmas.

  2. Alteração persistente do balanço sedimentar: entra menos areia do que a que sai, e o areal perde volume ao longo do tempo.

  3. Mudanças na agitação e na direção do swell local: pequenas alterações podem reconfigurar zonas de deposição/erosão.

  4. Obras costeiras e intervenções portuárias: quebra-mares, dragagens e alterações de fundos podem influenciar correntes e circulação local — mas o impacto tem de ser quantificado.

O que falta para transformar “debate” em “facto”

Para perceber se a imagem representa um fenómeno pontual ou um problema em escalada, o caminho é claro:

  • Comparar séries (fotos e vídeos com datas e marés equivalentes, ao longo de meses e anos);

  • Verificar se existem relatórios públicos de monitorização (perfis de praia/batimetria, evolução do areal);

  • Pedir esclarecimentos sobre medidas de mitigação (por exemplo, gestão de sedimentos, deposição controlada de areia, planos de acompanhamento).

Matosinhos é uma praia urbana, muito frequentada por surfistas e banhistas. Qualquer mudança relevante no areal tem impacto direto na segurança, no uso balnear e até no comportamento das ondas. Por isso, mais do que “culpas” em modo imediato, o que a comunidade precisa é de informação sólida, regular e acessível.

A surftotal continua a sua investigação e em breve trará a publico mais esclarecimentos

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