Marina de recreio em Matosinhos? Proposta pode mudar a praia e acabar de vez com o surf
A Surftotal teve acesso a uma imagem identificada como “Proposta 1 – Concurso de projeto para uma Marina de recreio e Desporto Náutico...
...nova para o ‘PORTO somos NÓS’”. A informação surge num momento em que o Plano Estratégico do Porto de Leixões 2025-2035 prevê a relocalização da atual marina de Leça para a zona próxima do Terminal de Cruzeiros.
Um surfista e frequentador assíduo da Praia de Matosinhos contactou a redação com preocupação sobre um possível cenário de “marina” na frente costeira — e pede que o tema seja esclarecido publicamente. A fonte solicitou anonimato.
A redação da Surftotal foi contactada por um surfista do Porto, presença regular na Praia de Matosinhos, que diz ter tomado conhecimento de informação e material visual que apontam para a possibilidade de a zona vir a acolher uma marina de recreio.
Segundo o testemunho recebido (que optamos por não identificar, a pedido do próprio), estaria em circulação uma proposta associada à área portuária e à náutica, com implicações na frente costeira. A mesma fonte defende que, com as alterações nos molhes e a transformação gradual do perfil do areal, existe receio de que a praia — um dos principais palcos do surf no Grande Porto — possa ser afetada por futuras obras.
A proposta que aparece na imagem
A imagem enviada à Surftotal inclui, na margem direita, a referência:
“Proposta 1 – Concurso de projeto para uma Marina de recreio e Desporto Náutico, nova para o ‘PORTO somos NÓS’.”
O surfista que nos abordou sublinha que se trata de uma proposta real (no sentido de existir como documento/apresentação), embora não seja claro se corresponde a um projeto formal já aprovado, a um estudo, a um cenário de concurso, ou a uma ideia em fase de discussão.
O enquadramento: Plano Estratégico de Leixões e relocalização da marina
Nos últimos dias, vários órgãos e publicações locais têm dado conta de que o Plano Estratégico do Porto de Leixões 2025-2035 prevê investimento elevado e inclui, entre os temas polémicos, a deslocação/relocalização da Marina de Leixões (atualmente em Leça da Palmeira) para a área próxima do Terminal de Cruzeiros, do lado de Matosinhos.
A Câmara Municipal de Matosinhos já terá manifestado reservas nalguns pontos do plano, precisamente por impactos na paisagem e na configuração da zona costeira e portuária.
Importa, no entanto, separar o que está documentado do que está por confirmar:
O plano fala na relocalização da marina dentro do perímetro portuário e junto ao Terminal de Cruzeiros;
A informação recebida pela Surftotal levanta a hipótese de um impacto mais direto na frente da Praia de Matosinhos, algo que não conseguimos confirmar, até ao momento, como decisão formal.
Porque é que isto preocupa o surf e a comunidade local?
A Praia de Matosinhos é um spot estruturante para:
escolas e aulas de surf (muitas vezes a única opção viável em condições específicas);
prática regular de milhares de surfistas;
economia local (restauração, comércio, turismo);
equilíbrio de usos com outras atividades (vela, natação, pesca e lazer).
Qualquer intervenção que altere a dinâmica de agitação marítima, correntes e transporte de areia pode ter efeitos no fundo, na qualidade das ondas, na segurança e no próprio uso balnear.
O que a Surftotal vai pedir para esclarecer
A Surftotal vai procurar esclarecimentos junto das entidades com responsabilidade na zona, nomeadamente:
APDL (Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo)
Câmara Municipal de Matosinhos
Câmara Municipal do Porto
Perguntas-chave:
A imagem “Proposta 1 – Concurso de projeto…” corresponde a quê exatamente (estudo interno, concurso, proposta privada, documento oficial)?
Existe algum processo formal em curso para criar uma marina na frente da Praia de Matosinhos (ou imediatamente adjacente ao areal)?
Onde será, exatamente, a relocalização da marina prevista no plano 2025-2035 e quais os impactos esperados?
Estão previstos estudos (hidrodinâmica/ambiente) e consulta pública sobre alterações relevantes na frente costeira?
Nota da redação
Neste momento, a Surftotal não afirma que “a Praia de Matosinhos vai acabar” nem que exista obra adjudicada para converter o areal numa marina. O que existe é:
uma proposta identificada numa imagem recebida pela redação;
um testemunho de um surfista local muito presente na praia, preocupado com o rumo das alterações e com a influência de interesses ligados à náutica;
e um contexto real de planeamento portuário que inclui a relocalização da marina para a zona do Terminal de Cruzeiros.
A comunidade merece transparência — e o surf, em Matosinhos, faz parte da sua identidade.






