Mercado de pranchas na Europa pode triplicar até 2034 — crescimento impulsionado pelo turismo e escolas de surf terça-feira, 07 abril 2026 05:04

Mercado de pranchas na Europa pode triplicar até 2034 — crescimento impulsionado pelo turismo e escolas de surf

Portugal em destaque no crescimento europeu.

 

Novo relatório aponta para um crescimento anual de quase 12%, mas alerta para desafios como overcrowding e sazonalidade

O mercado europeu de pranchas de surf poderá praticamente triplicar até 2034, passando de cerca de 1,09 mil milhões de dólares em 2025 para 3,01 mil milhões, segundo um estudo da Market Data Forecast.

De acordo com o relatório, o crescimento deverá acontecer a um ritmo médio anual de 11,97%, impulsionado sobretudo pela expansão do turismo de surf, pelo aumento do número de escolas e surf camps e pela crescente procura por pranchas adaptadas a diferentes níveis de evolução.


Turismo de surf e escolas puxam pela procura

Um dos principais motores deste crescimento está no aumento da procura por pranchas de iniciação e de aluguer. As escolas de surf e camps, cada vez mais populares em destinos como Portugal, Espanha e França, renovam frequentemente os seus quivers — muitas vezes de dois em dois anos — devido ao desgaste do material.

Além disso, a tendência aponta para pranchas versáteis, capazes de acompanhar a progressão dos surfistas desde o nível iniciado até intermédio.


 Portugal em destaque no crescimento europeu

O relatório identifica Portugal como um dos mercados-chave, beneficiando do seu posicionamento como destino global de surf.

Locais como Peniche, Ericeira, Nazaré entre outros continuam a atrair surfistas internacionais, contribuindo para o aumento da procura por pranchas, sobretudo no segmento de aluguer e ensino. O investimento em infraestruturas e eventos de ondas grandes reforça ainda mais o peso do país neste mercado.


Sustentabilidade e produção local ganham força

Outro dos sinais claros da evolução do mercado é a crescente aposta em materiais sustentáveis, como bio-resinas, EPS reciclado, madeira ou até soluções à base de algas.

Paralelamente, cresce também a preferência por pranchas feitas por shapers locais, capazes de adaptar os shapes às condições específicas de cada região e surfista — uma tendência que reforça o papel das marcas locais face à produção em massa.


Wave pools e surf urbano ampliam o mercado

O crescimento do surf fora do oceano — com wave pools e ondas artificiais — está também a alargar a base de praticantes na Europa.

Países como Reino Unido, Alemanha, Suíça e Países Baixos já contam com infraestruturas deste tipo, permitindo a prática durante todo o ano e reduzindo a dependência das condições naturais.


Overcrowding e custos travam crescimento

Apesar do cenário otimista, o relatório identifica vários desafios relevantes.

O aumento do número de surfistas está a provocar congestionamento em picos icónicos como Peniche, Biarritz ou Cornwall, gerando conflitos no lineup e pressão sobre os spots.

A sazonalidade europeia, com invernos mais rigorosos, e o custo elevado do equipamento (especialmente fatos de inverno) continuam também a ser barreiras à entrada para novos praticantes.

Por outro lado, a dependência de materiais derivados do petróleo torna a indústria vulnerável às flutuações de preços, afetando sobretudo os pequenos shapers.


Um mercado em crescimento… mas sob pressão

O mercado europeu de pranchas de surf apresenta um cenário de forte crescimento nos próximos anos, suportado por uma base de praticantes em expansão e por novas formas de acesso ao surf.

Ainda assim, desafios como o overcrowding, a sustentabilidade e os custos de produção poderão definir até que ponto este crescimento será sustentável a longo prazo.

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