Travessia: José Maria Pyrrait vai remar 900 quilómetros ao longo da costa portuguesa
José Maria Pyrrait transforma os 60 anos num manifesto de mar, saúde e superação
Aos 60 anos, o fotógrafo, surfista, treinador e mentor prepara uma viagem em stand up paddle do rio Minho ao Guadiana, num manifesto pela longevidade ativa e pela ligação ao mar
José Maria Pyrrait prepara-se para atravessar a costa portuguesa em stand up paddle, num desafio de cerca de 900 quilómetros entre o rio Minho e o Guadiana.
O projeto chama-se Travessia e é muito mais do que uma aventura desportiva. Aos 60 anos, Pyrrait quer transformar esta viagem num manifesto sobre vitalidade, saúde, disciplina e capacidade de sonhar em qualquer idade.
“Decidi remar 900 km ao longo de toda a costa portuguesa. Não para provar algo aos outros, mas para demonstrar que a vitalidade, a saúde e a ambição desportiva não desaparecem com a idade — transformam-se, aprofundam-se e podem ganhar ainda mais força”, explica o protagonista do projeto.
A mensagem central é clara: a idade não limita a capacidade de sonhar, superar desafios ou ir mais longe.
Do Rio de Janeiro à Ericeira
Nascido em Lisboa a 12 de agosto de 1965, José Maria Pyrrait é filho, marido, pai e avô. É também fotógrafo, surfista, treinador, mentor e um homem profundamente ligado ao mar.
A sua relação com o oceano começou cedo, mas ganhou uma dimensão especial quando se mudou para o Rio de Janeiro, em 1974. Viveu em Ipanema, muito perto do Arpoador, um dos berços do surf brasileiro, e foi aí que iniciou uma ligação intensa com o mar, que se mantém até hoje.
Até 1982 viveu no Rio, em anos que descreve como cheios de mar, surf, água salgada, sol e liberdade. Dessa juventude trouxe uma postura inquieta, aventureira e rica em experiências.
Mais tarde, de regresso a Portugal, encontrou nas ondas portuguesas um novo território de descoberta. A água fria e o clima mais agreste não afastaram a sua alma salgada. Pelo contrário, reforçaram a ligação ao mar.
Fotografia, viagens e uma vida de mar
Foi também nessa fase que a fotografia entrou de forma decisiva na sua vida, acabando por se transformar em profissão.
Ao longo do percurso, José Maria Pyrrait elegeu a grande reportagem e as viagens como palco preferencial. Trabalhou em diferentes áreas e passou por lugares como Angola, África do Sul, Cabo Verde, Açores, Madeira, Austrália, Nova Zelândia, Espanha, França, Alemanha, Áustria, Polónia, República Checa e vários pontos do norte e sul de Portugal.
Pelo caminho, viveu experiências como fotógrafo, surfista, treinador e até em missões humanitárias, incluindo uma operação de resgate a famílias em fuga da guerra na Ucrânia.
Nos Açores, viveu seis anos em São Miguel, onde foi fotógrafo oficial do Governo Regional, colaborou com jornais e revistas e continuou a explorar a ligação ao mar, ao surf e à caça submarina nas nove ilhas.
Ericeira como casa e escola de surf
Dos Açores regressou à Ericeira, onde vive até hoje.
Na vila que é uma das grandes referências europeias do surf, colocou em prática muitos anos de experiência de mar, abrindo a segunda escola de surf da Ericeira e a primeira na Praia de Ribeira d’Ilhas.
Foi aí que iniciou a sua carreira como treinador, acompanhando surfistas de várias gerações e ajudando a formar atletas dentro e fora de água.
O percurso enquanto treinador levou-o a títulos e experiências internacionais: campeão da Europa, duas ligas nacionais no masculino e duas no feminino, e cerca de 15 anos a treinar surfistas de topo vindos de países como Espanha, Peru, Nova Zelândia, Austrália, Indonésia, Canárias, Estados Unidos, Israel e Portugal.
O stand up paddle como extensão natural do mar
Nos últimos anos, o stand up paddle tornou-se uma extensão natural da sua ligação ao oceano e à natureza.
As longas travessias oceânicas passaram a fazer parte da sua rotina, até ganharem agora a forma de um grande desafio: remar toda a costa portuguesa, do Minho ao Guadiana, ao longo de cerca de 900 quilómetros e 30 dias.
A travessia pretende ser também uma reflexão sobre a forma como se envelhece num país onde a longevidade ativa é cada vez mais um tema central.
Num tempo em que Portugal envelhece rapidamente, o projeto apresenta uma mensagem poderosa: é possível manter energia, disciplina, performance e paixão pelo desporto depois dos 60.
Diabetes tipo 2 como motivação extra
Aos 58 anos, durante exames de rotina, José Maria Pyrrait descobriu que tinha diabetes tipo 2.
A notícia poderia ter levado a uma travagem. No seu caso, funcionou como motivação adicional para melhorar a saúde, reforçar hábitos de vida e transformar limitações em força.
“Transformar as dificuldades e limitações em força e motivação extra é o motor para ultrapassar barreiras”,
A Travessia assume, assim, uma dimensão que vai além do desporto. É também uma mensagem de saúde, prevenção, disciplina e superação pessoal.
Um manifesto pela idade ativa
A travessia da costa portuguesa em SUP não procura apenas cumprir uma distância.
Procura inspirar outras pessoas a repensar a relação com a idade, com o corpo, com o desporto e com os limites pessoais.
Num percurso que junta mar, história pessoal, fotografia, surf, treino, família e resiliência, José Maria Pyrrait quer mostrar que chegar aos 60 não significa abrandar a vida. Pode significar redefinir objetivos, aprofundar a ligação à natureza e procurar novos desafios.
Do rio Minho ao Guadiana, a Travessia será uma viagem física, mas também simbólica.
Uma viagem sobre o mar, sobre Portugal e sobre a capacidade de continuar a sonhar, remar e avançar.
- Link: Website travessia





