Greenpeace alerta: até 40% das praias portuguesas podem desaparecer até ao final do século sexta-feira, 07 agosto 2026 10:07

Greenpeace alerta: até 40% das praias portuguesas podem desaparecer até ao final do século

Portugal poderá perder até 40% das suas praias até 2100 caso não sejam tomadas medidas urgentes para travar a erosão costeira, a subida do nível do mar e a pressão urbanística sobre o litoral.

 

O alerta é lançado pela Greenpeace no relatório "Destruição a Toda a Costa – Retrato de um litoral português em risco", que traça um retrato preocupante da situação ao longo dos cerca de 2.500 quilómetros de costa portuguesa.

Segundo o documento, as alterações climáticas e décadas de ocupação intensiva da faixa costeira estão a acelerar o recuo da linha de costa. Em média, muitas praias já registam perdas entre 10 e 20 metros de areal, havendo zonas onde o recuo atinge os 40 metros, agravado pelas tempestades que marcaram o início do ano.

Mais de 100 mil pessoas vivem em zonas costeiras vulneráveis

O relatório identifica Portugal como um dos países europeus mais expostos aos efeitos da subida do nível do mar, destacando que mais de 100 mil pessoas vivem atualmente em áreas costeiras suscetíveis a inundações.

Para Toni Melajoki Roseiro, diretor da Greenpeace Portugal, a situação exige uma resposta imediata:

"Não podemos continuar à espera que uma praia desapareça, uma arriba colapse ou uma infraestrutura fique em risco para agir."

A organização defende que já existe conhecimento científico suficiente para justificar decisões políticas capazes de proteger populações, ecossistemas e o património costeiro nacional.

Um quarto da costa portuguesa está em recuo

Dados da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), citados no relatório, indicam que mais de 25% da costa continental apresenta um avanço do mar até dois metros por ano, em determinadas regiões.

Entre os casos mais preocupantes destacam-se:

  • Espinho, onde a linha de costa recua cerca de 5,2 metros por ano;
  • Viana do Castelo, que perdeu aproximadamente 30% da área de praia desde 1990;
  • Póvoa de Varzim, considerada uma zona de elevado risco de erosão e inundações;
  • Costa Nova (Aveiro), onde o recuo poderá atingir 40 metros nas próximas duas décadas;
  • Costa da Caparica, que perdeu cerca de 200 metros de areia desde 1960;
  • Costa de Lavos (Figueira da Foz), com um recuo de aproximadamente 50 metros na última década;
  • Praia de Faro, que perdeu cerca de 25 metros de largura desde 1950.

No Algarve, o relatório aponta como áreas particularmente vulneráveis Vilamoura, Quarteira, Vale do Garrão, Praia da Rocha, Ilha de Tavira, Ria Formosa, Barrinha de Alvor e Praia do Ancão.

Urbanização agrava os efeitos da erosão

Além das alterações climáticas, a Greenpeace considera que a expansão urbana e turística junto ao litoral tem aumentado significativamente a vulnerabilidade da costa portuguesa.

Segundo a organização, a destruição de dunas, sapais e outros ecossistemas costeiros reduziu a capacidade natural de proteção contra tempestades, erosão e intrusão salina.

O relatório destaca vários projetos imobiliários em zonas ambientalmente sensíveis, nomeadamente nos concelhos de Sesimbra, Grândola, Tróia e Comporta, defendendo um maior rigor na aplicação da legislação e na fiscalização do ordenamento do território.

Resposta urgente para proteger o litoral

Nas conclusões, a Greenpeace apela ao cumprimento efetivo dos Programas da Orla Costeira, ao reforço da fiscalização e à adoção de políticas públicas que limitem a construção em zonas de elevado risco.

A organização alerta ainda para a necessidade de garantir o acesso público às praias e de preservar os ecossistemas costeiros, considerando que a proteção do litoral será determinante para enfrentar os impactos das alterações climáticas nas próximas décadas.

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