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https://www.surftotal.com/noticias/nacionais/item/27430-dia-historico-em-teahupo-o-slater-desafia-a-idade-e-colapinto-alcanca-a-perfeicao#sigProIdd9c9e6f2ca
Dia histórico em Teahupo’o: Slater desafia a idade e Colapinto alcança a perfeição
Kelly Slater, aos 54 anos, derrotou Gabriel Medina com 19,06 pontos, enquanto Griffin Colapinto conseguiu um 10 perfeito e o melhor total do ano.
Ondas de 8 a 10 pés, tubos pesados e algumas das melhores prestações de toda a temporada transformaram o terceiro dia do Outerknown Tahiti Pro num dos grandes momentos do Championship Tour 2026. Kelly Slater, aos 54 anos, derrotou Gabriel Medina com 19,06 pontos, enquanto Griffin Colapinto conseguiu um 10 perfeito e o melhor total do ano.
Teahupo’o voltou a mostrar esta segunda-feira porque é considerada uma das ondas mais exigentes e espetaculares do planeta. O terceiro dia do Outerknown Tahiti Pro, sétima etapa do Championship Tour (CT) 2026 da World Surf League, proporcionou um verdadeiro festival de tubos e algumas das melhores prestações vistas este ano no circuito mundial.
Com ondas de 8 a 10 pés e condições exigentes devido ao vento, foram realizadas 11 baterias para concluir a segunda ronda masculina. Quatro delas entraram diretamente para o top 10 dos melhores totais de bateria da temporada, incluindo os dois melhores registos do ano.

Kelly Slater dá espetáculo aos 54 anos
Todas as atenções estavam concentradas num dos duelos mais aguardados: Kelly Slater frente a Gabriel Medina.
De um lado, o 11 vezes campeão mundial, atualmente fora do circuito e presente no Tahiti Pro como wildcard. Do outro, o tricampeão mundial brasileiro e duas vezes vencedor em Teahupo’o.
Depois de um início difícil, em que caiu em várias ondas antes de conseguir um 7,00, Slater elevou drasticamente o nível. O norte-americano encontrou dois tubos profundos que lhe valeram 9,73 e 9,33 pontos, terminando com impressionantes 19,06 pontos em 20 possíveis.
Medina respondeu com 8,43 e 7,67, somando 16,10, mas não conseguiu acompanhar o ritmo imposto pelo veterano norte-americano.
Foi apenas a terceira vitória de Slater sobre Medina em 11 confrontos. O resultado teve ainda um sabor especial, uma vez que o último encontro entre ambos em Teahupo’o tinha acontecido na final de 2014, então ganha pelo brasileiro.
O total de 19,06 foi também o melhor conseguido por Slater nesta onda desde 2016, ano em que conquistou pela quinta vez o Tahiti Pro.
Aos 54 anos, Slater continua assim a desafiar o tempo e, sobretudo, a demonstrar que em Teahupo’o permanece entre os melhores do mundo.
Griffin Colapinto consegue um 10 perfeito
Se a prestação de Slater parecia difícil de superar, Griffin Colapinto conseguiu fazê-lo pouco depois.
Frente ao indonésio Rio Waida, o norte-americano arrancou numa das maiores ondas do dia e entrou profundamente no tubo. Durante a viagem chegou a perder momentaneamente o controlo da prancha sobre a espuma, mas conseguiu recuperar e sair disparado para o canal.
Os juízes atribuíram-lhe unanimemente aquilo que a onda merecia: 10 pontos.
Foi apenas o segundo 10 perfeito da temporada 2026 e o quarto da carreira de Colapinto.
O californiano ainda encontrou outro enorme tubo, avaliado em 9,60 pontos, terminando a bateria com 19,60, o melhor total dos seus oito anos no Championship Tour e também o melhor registo da temporada até ao momento.
Jack Robinson e Callum Robson acima dos 17 pontos
Outro dos grandes momentos do dia surgiu no duelo australiano entre Jack Robinson e Callum Robson.
Callum começou praticamente da melhor maneira possível, saindo de um enorme tubo para receber 9,57 pontos.
Robinson respondeu com 9,70 e acrescentou depois um 8,50. Callum ainda conseguiu um 7,83 na fase final da bateria, mas os seus impressionantes 17,40 pontos não chegaram.
Jack Robinson venceu com 18,20 e garantiu a passagem à terceira ronda.
O resultado preparou mais um confronto de luxo: Kelly Slater frente a Jack Robinson na próxima ronda.
Líder mundial Leonardo Fioravanti eliminado
O dia trouxe também consequências importantes para a luta pelo título mundial.
Leonardo Fioravanti, que chegou ao Taiti como número 1 mundial e vestindo pela primeira vez a lycra amarela de líder, foi eliminado pelo marroquino Ramzi Boukhiam.
Boukhiam enfrentou algumas das maiores ondas da manhã e conseguiu um 8,17 numa das mais pesadas da sessão, juntando-lhe um 7,50 para terminar com 15,67 pontos.
Fioravanti ficou pelos 13,50. Curiosamente, os dois são grandes amigos fora de água, com o italiano a felicitar Boukhiam imediatamente após a bateria.
João Chianca arrisca tudo para conseguir 17,83
João Chianca protagonizou outra das grandes baterias do dia frente ao australiano Morgan Cibilic.
O brasileiro conseguiu um enorme 9,50 num tubo longo e profundo e acrescentou um 8,33, terminando com 17,83 pontos.
Cibilic também esteve em grande nível, com 8,73 e 7,17, para um total de 15,90, mas acabou eliminado.
A prestação de Chianca ganha ainda maior dimensão depois de o brasileiro revelar que, apenas três dias antes, tinha pisado um peixe-pedra, tendo necessitado de assistência médica. Durante a própria bateria voltou a cortar-se no recife e ainda partiu uma prancha.
Um dia para guardar na história de Teahupo’o
Os números ajudam a perceber a qualidade do surf apresentado:
Griffin Colapinto – 19,60
Kelly Slater – 19,06
Jack Robinson – 18,20
João Chianca – 17,83
Quatro totais extraordinários num único dia de competição, aos quais se juntaram prestações de destaque de Ramzi Boukhiam, Ethan Ewing e George Pittar.
Também avançaram para a terceira ronda Italo Ferreira, Liam O’Brien, Alejo Muniz e Miguel Pupo, completando um quadro onde praticamente todas as baterias prometem espetáculo.
Slater contra Robinson é o próximo duelo imperdível
A terceira ronda masculina terá Kauli Vaast frente a Alan Cleland, Seth Moniz contra Barron Mamiya, Connor O’Leary diante de Italo Ferreira, Liam O’Brien contra Ethan Ewing, Ramzi Boukhiam frente a João Chianca e Alejo Muniz contra George Pittar.
Mas todas as atenções estarão inevitavelmente voltadas para a sétima bateria: Kelly Slater contra Jack Robinson.
Slater, cinco vezes vencedor em Teahupo’o, chega depois dos 19,06 pontos conseguidos frente a Medina. Robinson, campeão em título, respondeu com 18,20. Griffin Colapinto, autor do melhor total do dia, fecha a ronda frente a Miguel Pupo.
A competição feminina ainda aguarda pela estreia e contará com duas portuguesas. Yolanda Hopkins enfrenta a oito vezes campeã mundial Stephanie Gilmore, enquanto Francisca Veselko mede forças com a espanhola Nadia Erostarbe.
Teahupo’o voltou a fazer aquilo que poucas ondas conseguem: colocar os melhores surfistas do planeta perante uma linha muito ténue entre controlo, risco e perfeição. E, num dia em que um surfista de 54 anos voltou a desafiar os limites da longevidade competitiva e outro alcançou a nota máxima, o Outerknown Tahiti Pro 2026 viveu uma jornada para a história.
- Créditos fotos: WSL - Hannah Anderson e Matt Dunbar
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