segunda-feira, 28 outubro 2013 15:50

FOTOGRAFIA: O QUE OS OLHOS VEEM E A ALMA SENTE... COM BRUNO SMITH

A SurfTotal esteve à conversa com o fotógrafo.

Hoje em dia, uma máquina fotográfica é mais um gadget neste mundo digital, no entanto o que se consegue fazer com ela é que diferencia um fotógrafo verdadeiramente dito de uma pessoa que apenas possui um aparelho destes. Explorar o mundo fotográfico é ser criativo, saber esperar o momento certo, encontrar a luz adequada. Neste ciclo de entrevistas aos nossos fotógrafos, vamos dar agora voz a Bruno Smith Magalhães, um verdadeiro viajante, que procura constantemente mostrar nas suas fotografias aquilo que os seus olhos veem e que a sua alma sente. Em 2012 a revista norte americana Surfer, não hesitou e colocou uma onda solitária fotografada por Bruno na sua capa, este foi com toda a certeza, um dos momentos mais altos da sua carreira. Fomos ter com o Bruno para saber o que é para ele, fazer e sentir a fotografia.

 

SurfTotal: Porquê a fotografia?

Bruno Smith: Para imortalizar o que os meus olhos vêem.

 

SurfTotal : O que te motiva mais nesta actividade?

Bruno Smith: Nunca ser monótona e cada dia é um dia diferente... a luz, estado do mar, a minha própria criatividade, o lugar onde me encontro...

 

SurfTotal: Como é para ti uma ti uma foto perfeita?

Bruno Smith: Para mim a base da fotografia é a luz, por isso uma foto com boa luz, boa composição e enquadramento é a foto perfeita!

 

SurfTotal: Que tipo de fotografia achas mais desafiante fazer?

Bruno Smith: Boa pergunta! A fotografia dentro de água fascina muito, tenho andado a fazer ângulos muito diferentes, muito underwater, a utilizar novas técnicas. Mas fotografia não se baseia só na fotografia aquática, há mais para além disso...por isso gosto muito de fazer lineups com uma boa composição.

 

SurfTotal: Podes traçar o perfil de um bom fotógrafo?

Bruno Smith: Um bom fotógrafo não é aquele que apenas anda com uma caixa estanque e uma fisheye… é o que se vê mais neste momento. Ser fotógrafo é saber fazer fotografia na água com diferentes lentes e principalmente fotografia fora de água. Qualquer bom nadador com uma caixa estanque e uma fisheye, vai conseguir ter resultados positivos… Por isso ser um bom fotografo, não é apenas saber tirar fotos de fisheye na água. Fica a dica!

 

SurfTotal: Quais são para ti, os fotógrafos referencia?

Bruno Smith: Ray Collins além de meu amigo é sem dúvida das minhas maiores referências. Gosto muito do trabalho do Chris Burkard. Em Portugal, Tó Mané, abraço!

 

SurfTotal: Qual a tua foto que mais te marcou?

Bruno Smith: A foto com que fiz a capa da Surfer! A luz é a tudo naquela foto…

 

SurfTotal: Tens viajado? Qual a viagem que ficou na tua memória?

Bruno Smith: Tenho viajado muito, aliás, nos últimos anos não parei. Já me encontro na Indonésia este ano há 7 meses. Viajem marcante… sem dúvida Fiji no ano 2011, no swell gigante.

 

SurfTotal: Como preparas uma viagem?

Bruno Smith: As minas viagens são sempre de longa duração. Não me lembro de viajar menos de 3 meses… por isso para mim requer algum tempo para organizar todo o equipamento que vou utilizar. Se ainda não visitei o destino para onde vou, tento procurar a maior informação possível das ondas, da cultura desse mesmo país.

 

SurfTotal: Qual foi para ti o surfista que mais te deu prazer fotografar?

Bruno Smith: Aquele que respeita o meu trabalho.

 

SurfTotal: Como se “cultiva” uma relação entre surfista e fotógrafo?

Bruno Smith: Acho que isso vai se construindo ao longo do tempo, mas como já referi gosto de respeitar e ser respeitado com quem estou a fotografar. Todos os fotógrafos, tem os seus próprios atletas favoritos com quem gostam de trabalhar, eu não sou exclusão. Eles sabem que são, além de surfistas são meus amigos!

 

SurfTotal: Dedicas-te só á fotografia de surf, ou abraças outros desafios?

Bruno Smith: O meu trabalho na fotografia é maioritariamente surf, mas neste presente ano, tracei um projecto, no qual estou muito satisfeito com os resultados e o qual em breve será divulgado!

 

SurfTotal: Com o desenvolvimento da fotografia digital surge uma nova geração de fotógrafos, isso motiva-te a fazer a diferença?

Bruno Smith: Eu próprio me incluo nessa geração da era digital, não na mais recente geração, mas seguramente na anterior. Sinceramente, esta geração focou-se muito na fisheye e caixa estanque… sem duvida muitos fotógrafos andam a fazer um excelente trabalho, mas como já tinha referido a fotografia, não se baseia na fisheye e caixa estanque... é muito mais que isso. Eu sou um aficionado da fotografia aquática, mas aos poucos tenho mudado o meu estilo, com novas técnicas e equipamento, tanto dentro como fora de água!

 

SurfTotal: Recentemente viste uma foto tua ser capa da Surfer, não queremos que fales dela, pois já o fizeste muito, gostaríamos de saber se tens trabalhado para repetir esse feito?

Bruno Smith: Sem dúvida, faço um trabalho diário há procura de uma foto como aquela. A sensação de fazer a capa da Surfer foi e será sempre inesquecível, para além do reconhecimento da maior revista do Mundo de Surf do Mundo o esforço pessoal e financeiro que faço constantemente. No que respeita ao meu trabalho diário que tenho feito é mais direccionado para o meu projecto pessoal que iniciei este ano! Se vier mais uma capa no meio disto tudo, irei ficar radiante e contente por ver o meu trabalho mais uma vez reconhecido.

 

SurfTotal: Por falar em capas de revistas, a última edição da Surf Portugal tem na capa uma grande foto tua, queres falar um pouco desta foto? Que luz é aquela?

Bruno Smith: A foto da capa em questão é num dos meus sítios preferidos para fotografar em todo o mundo. A minha capa da surfer foi feita no mesmo sítio. A foto foi tirada no final do dia, em que o sol bate directo na onda! E um estúdio autentico esta onda, sendo por isso o meu spot favorito e que me trás boas recordações.

 

SurfTotal: Como organizas o teu trabalho quando tens uma boa sessão que possa resultar em publicações nas revistas?

Bruno Smith: Os últimos trabalhos que tenho feito e que implica revistas, tenho feito de uma maneira diferente. Tenho fotografado e publicado maioritariamente em revistas estrangeiras e são as próprias revistas que me contactam para fazer o trabalho com o pro X ou Y, por isso logo desde do início já posso planear o trabalho a fazer com o surfista em questão! Lógico, que continuo a ter fotos que faço de surfistas que não estou a trabalhar directamente, nesse caso, tento fazer uma boa selecção (nunca esquecer que quantidade não é sinónimo de qualidade) e depois envio para as revistas com quem já tenho uma relação que fui desenvolvendo longo dos tempos!

 

SurfTotal: Queres deixar um conselho para quem esteja a pensar iniciar-se na fotografia?

Bruno Smith: A fotografia tem de ser algo que se gosta do que se faz e que não venha por moda…Na primeira etapa tens de pensar que inicialmente só vais investir dinheiro e retorno "se houver" vai ser mínimo. Na segunda etapa, se tiveres valor e fores reconhecido pelo teu trabalho, vais começar a ganhar os primeiros "trocos", e talvez abatas um quarto do investimento feito. O que eu quero dizer, para sobreviver como fotógrafo, são vários os esforços que tens de passar e se ambicionas ser rico, então não é a profissão para ti.

 

SurfTotal: Planos para o futuro?

Bruno Smith: Tenho bastantes planos para o futuro felizmente, mas infelizmente todos  são fora de Portugal, o que significa ficar longe da família, amigos, etc.... O trabalho no qual me esforço a 100% é cada vez mais reconhecido e felizmente tenho tido boas propostas para o futuro.  Apostei em diferenciar me um pouco da concorrência e tenho um projecto em simultâneo com o que faço actualmente para o próximo ano em que estou bastante entusiasmado.

 

 

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