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sexta-feira, 20 dezembro 2013 13:43

ALPES: "NO FIM JÁ NÃO SABIA BEM SE ESTAVA VIVO OU MORTO"

Zé Ferreira esteve durante 10 dias a treinar resistência e muito mais.

Por Patrícia Tadeia

 

Que está frio em Portugal, já todos reparámos. Para fugir ao gelo que cá sentimos, e que já o impedia de passar as horas que queria dentro de água, Zé Ferreira seguiu os conselhos do seu treinador e optou por viajar. Para onde? Para a neve! Estás intrigado? A SurfTotal explica-te tudo. O surfista do Guincho passou 10 dias nos Alpes franceses a treinar múltiplos factores, entre eles a resistência. E foi isso que quisemos perceber junto do atleta. Zé aceitou prontamente o desafio e explicou-nos como foram estes dias. 

Mas calma, que depois da neve veio o calor. E foi mesmo em Marrocos que o surfista nos fez um balanço das semanas de treino que já passaram. Neste momento, a água e o sol já substituíram o gelo e a neve, e Zé deve estar a surfar em grande na companhia de Vasco Ribeiro, que também está por Marrocos. 

Com a simpatia a que já nos habituou, Zé Ferreira contou-nos ainda que, embora a véspera de Natal seja passada em família e em Portugal, depois do Reveillon ruma à Austrália. Bem... com tanta viagem... até nós ficámos cansados, e vocês? Força, Zé!

 

  

Em que consiste o treino que fizeste nos Alpes? Em que zona foi e quantos dias?
O treino nos Alpes consistiu numa série de exercícios de resistência, mobilidade, coordenação e força para, de certa forma, dar um final ao ciclo de ginásio em pré-época. Basicamente em altitude há uma maior criação de glóbulos vermelhos, devido ao ar rarefeito que é cada vez pior quanto maior a altitude. O ideal nestes casos para o corpo se ambientar às diferenças de altitude são 10-12 dias para cima. Eu fiquei 10 e posso dizer que sinto ganhos a nível de batimento cardíaco e resistência. Fiquei numa vila nos Alpes franceses chamada La Clusaz a uma hora de Lyon! Queria desde já agradecer ao Xavier Huart por me ter orientado no treino e ao Alexis (diretor de turismo na zona) por nos ter proporcionado este estágio com tantas facilidades. Se alguém estiver interessado em ir à neve, La Clusaz é uma ótima opção.

 

Quais as vantagens? Há vantagens psicológicas?
Os maiores ganhos aqui são realmente o controlo da respiração, o aumento da resistência, continuamos também a fazer ginásio normal e claro, subir montanhas de 4.000 metros com gelo, neve virgem e pedras é sempre bom para a cabeça, pois chega a certa altura que nos temos de superar a nós próprios. Também o facto de ser algo completamente diferente daquilo a que estou habituado a treinar para o surf foi, sem dúvida, ótimo para mim, pois passar da água para a neve é sempre bom, e se estes estiverem conjugados em ordem do treino é perfeito!

 

Foi a primeira vez que recorreste a este tipo de treino? Como surgiu a ideia?
Sim, foi a primeira vez! O meu treinador Frances Xavier Huart já tinha feito este campo de treino com outros atletas e perguntou-me se queria ir! Falei com os meus treinadores portugueses e achámos todos que seria uma ótima ideia!

 

Como correu? Qual o balanço que fazes? É para repetir?
Correu muito bem! No fim, já não sabia bem se estava vivo ou morto, mas é sem dúvida para repetir! Acho que fazer alguma coisa que indiretamente nos ajude, mas que seja "out of the box" é sempre bom. É um estimulo novo!

 

Enquanto lá estavas foi-te atribuído o prémio Surfer's Surfer, atribuído pela Associação Nacional de Surfistas. Como recebeste a notícia? Como é saber que foste o escolhido por todos os outros surfistas?
É realmente ótimo! Acho que este ano a Liga Moche foi incrível e estamos todos de parabéns: surfistas, staff, patrocinadores, organizadores etc... Tendo sido o ano em que a Liga teve mais nível de sempre, é uma verdadeira honra ter ganho este prémio e desde já queria agradecer a todos os que votaram em mim, todos os que acreditam em mim e todos os que, seja como tenha sido, me ajudaram ao longo da minha carreira e vida.

 

Depois da neve... o calor de Marrocos. Até quando ficas por aí? E como está a correr?
(risos) É ótimo! o que há de mau em passar do frio para o calor? Venho a Marrocos desde muito novo e já é quase uma segunda casa! Estamos a ficar com o Alexandre Grilo no LaPoint Surfcamp onde somos sempre muito bem recebidos e as ondas têm estado boas! O objetivo era adaptar o surf a estes estímulos que ganhei nestes últimos meses de pré-época. Não é fácil pois sinto o meu corpo muito diferente, descoordenado e então estou numa fase de adaptação. Portugal está frio e nesta altura em Marrocos as condições são mais favoráveis para passar mais tempo dentro de água, que é exactamente o que eu preciso. Mas é sempre uma época chata, pois demora até que comece a surfar bem outra vez! O Vasco Ribeiro veio também o que é ótimo, pois há sempre nível na água e é sempre bom ter um amigo como companhia quando se viaja. Para além disso estamos (eu e o Vasquinho) também a fazer treino complementar com o Gonçalo Saldanha e a fotografar com o Ricardo Bravo. Volto dia 24 para o Natal com a família e passagem de ano com os amigos and then... off to Austrália!

 

Ora então, a SurfTotal deseja uma boa viagem! 

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