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sexta-feira, 20 dezembro 2013 17:54

JOÃO KOPKE EM ENTREVISTA: “A LIGA ESTEVE A UM NÍVEL QUE OUTROS PAÍSES GRANDES DO SURF INVEJAM"

O surfista da linha falou do seu ano de 2013 e projectou o que ambiciona para 2014. Fica com a entrevista.

Por Francisco Sousa

 

Um nome já bastante conhecido no surf nacional, João Kopke tem vindo a protagonizar uma evolução digna de registo e, acima de tudo, a alcançar boas prestações a nível nacional e internacional. Conhecido pela sua raça e tremenda determinação, “Zenguito” procura livrar-se do estatuto de “esperança” e passar a competir contra os surfistas de topo, juntando-se assim ao restante contingente luso na batalha pela qualificação para o World Championship Tour.

 

João mais um título de campeão nacional de surf esperanças. Como te sentes e como foi a conquista deste ano?

Foi um ano cheio de mudança para mim. Mudei quase tudo o que influencia directamente a forma como se faz surf. Mudei de pranchas, para a Polen, que definitivamente me fez evoluir. Mudei de treinador e estou agora com o Pedro Marques por isso, os meus treinos técnicos e físicos estão bem diferentes. Fiz parte este ano do team O´Neill que me motivou muito. Para além disso, acabei o 12º o que significou um aumento enorme do tempo que eu dedico ao surf. Fui subindo vários degraus este ano e acabei com este título de campeão nacional. Mas acho que o mais importante neste título foi a percepção que me deu sobre o que é preciso para o futuro internacional que eu quero.

 

Conta-nos como foi o percurso até ao título

Como já referi, mudei a forma como treino. Estive quase sempre a treinar individualmente e por isso tive oportunidade de corrigir coisas com o meu treinador que ainda não tinha conseguido corrigir e ficar mais forte fisicamente. Comecei um trabalho psicológico com a Susana Veloso e pude perceber como é que funciona a cabeça de um atleta, para poder estar mais no comando da minha. Este circuito foi sempre intercalado com outros circuitos e viagens (cheguei a voltar da Califórnia mais cedo para uma etapa em Peniche). No fundo consegui conciliar uma carreira mas internacional, principalmente o circuito júnior europeu, com a Liga e o Esperanças.

 

Como têm sido os treinos de pré-época? Em que aspectos tens te concentrado mais?

Muito físico por esta altura. Estou a treinar no Centro de Alto Rendimento todos os dias de manhã. Mas também tenho aproveitado as ondas boas do Inverno para filmar e corrigir erros técnicos.

 

Como surfista experiente que és, dá-nos a tua visão do ano de 2013 para o surf nacional.

Foi um ano particularmente cheio. Acho que a minha geração e a geração um pouco acima da minha começou-se a afirmar, principalmente com o Kikas e o Zé a fazerem finais em WQS e a mostrarem que tudo é possível, mas que só é possível com muito trabalho. Para mim essas finais foram o momento do ano, mas não posso deixar de falar na Liga, que esteve a um nível que outros países grandes do surf invejam.

 

2013 foi um bom ano para ti?

Teve altos e baixo mas no geral foi, não tanto por resultados mas sim pelo surf que consegui apresentar em todos os circuitos. Fiz notas excelentes em todos eles. Faltou-me sempre alguma coisa no Pro Junior por exemplo, parecia haver sempre uma barreira nos quartos de final, mas houve uma grande evolução. Este ano será melhor.

 

Quais os teus objectivos para 2014?

Tudo depende de budgets ainda, mas estou a olhar para o WQS. Quero começar a bater-me com os tubarões e deixar de ser só uma esperança. Acho que se tiver a sorte de poder fazer esses campeonatos já fora da Europa, porque não fazê-los? Eu não preciso de nada que não esteja ligado ao surf porque tenho a sorte de ter uma família estável, de morar perto da praia e ter comida todos os dias. Se o surf falhar, felizmente sei fazer muita coisa, estou com a matrícula congelada no curso que quero e há muitos casamentos onde se pode ser músico de serviço, por isso todo o dinheiro que eu ganhar com o surf, vai ser um investimento para o surf. Isso vai me deixar um dia olhar para trás, depois de conseguir ou não, e saber que fiz tudo para ser feliz com o meu sonho e que consegui pelo menos tentar.
Por isso em 2014 o meu objectivo é aprender a ser surfista profissional.

 

Uma mensagem que queiras deixar

Gostava de ver as gerações mais novas a aproveitarem e a darem valor a todas as oportunidades, não só no surf, porque há pessoas com grande valor hoje a perdê-las. Há surfistas com grande valor sem possibilidades para mostrar isso mesmo. Não há moda nem corrente que valha a pena, se à sua frente estiver um objectivo.

 

 


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