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quinta-feira, 22 julho 2021 23:15

Qual a competição de surf mais mediática de sempre ?

Julgava-se que viria a ser o momento que lançaria o surf competitivo para o cume do interesse do público generalista por todo o mundo....

 

Muito provavelmente terá sido a competição com o desfecho  ocorrido a 19 de Julho de 2015, faz agora 6 anos portanto, na praia de Jeffrey’s Bay, na final do J-Bay Open, etapa sul-africana do circuito mundial da World Surf League. 

 

 

 

 

 

"Decorridos menos de quatro minutos do “heat” de quarenta minutos,

 

dá-se então o ataque do tubarão ao Mick Fanning..."

 

 

 

 

Nesta final, contra o também australiano Julian Wilson, Mick Fanning estava lançado para conquistar a liderança do Tour das mãos do brasileiro Adriano de Souza, que entretanto tinha sido derrotado pelo Wilson nos quartos de finais. 

Decorridos menos de quatro minutos do “heat” de quarenta  minutos, dá-se então o ataque do tubarão ao Mick Fanning, cujas imagens foram transmitidas ao vivo e rapidamente repetidas e destacadas em noticiários por todo o mundo. Felizmente ele conseguiu escapar incólume e ser resgatado em poucos segundos.

 

 

 

 

 

"Na altura falou-se da possibilidade de que este ataque de tubarão

 

viria a ser o momento que lançaria o surf competitivo

 

para o cume do interesse do público generalista..."

 

 

 

 

Na altura falou-se da possibilidade de que este ataque de tubarão viria a ser o momento que lançaria o surf competitivo para o cume do interesse do público generalista por todo o mundo. Finalmente o surf profissional chegaria à tão ambicionada (e sonhada) audiência global, que despertaria para o surf, e principalmente para as competições.

A elite das competições de surf tem sido gerida pela World Surf League, criada no início de 2015 para gerir os dois circuitos mundiais de surf profissional – o World Tour, que atribui o título de Campeão do Mundo de Surf  e o World Qualifying Series (WQS), circuito de qualificação para o WT – substituindo os  circuitos da ASP (Association of Surfing Professionals) adquirida dois anos antes pela ZoSea, empresa pertencente ao investidor bilionário norte-americano Dirk Ziff.

 

 

"Desde a sua criação, a WSL tem-se confrontado com dificuldades em assegurar

 

a sustentabilidade financeira dos eventos..."

 

 

 

Desde a sua criação, a WSL tem-se confrontado com dificuldades em assegurar a sustentabilidade financeira dos eventos, já que as marcas de “surfwear” norte-americanas e australianas, que tinham sustentado o surf profissional desde o início dos circuitos mundiais organizados em finais dos anos 70, tinham começado a sofrer quebras de vendas provocadas por alterações dos padrões de consumo do mercado da “sportswear” (onde a “surfwear” é um dos segmentos). Essas quebras foram agravadas pela crise financeira de 2007/2008, e desde aí essas marcas não têm conseguido recuperar.

Aliás, o J-Bay Open 2015 não tinha nenhum patrocinador principal, pois a Billabong, patrocinadora da etapa sul-africana durante muitos anos, tinha desistido devido à sua difícil situação financeira.

As imagens do ataque do tubarão e dos dois surfistas correram então o mundo, promovendo também as marcas que os patrocinavam : Rip Curl no caso do Fanning, Hurley no do Wilson. Mas sendo marcas de surf, não chegaram a ter o mesmo impacto que a Red Bull, que como patrocinava ambos, recorreu à sua poderosa equipa de comunicação para reforçar a ligação da marca a estes dois heróis. Porque efectivamente é o que estes dois foram - o Fanning por ter enfrentado o tubarão, o Wilson por não ter hesitado em remar na direcção do seu colega (e amigo) em aflição. 

 

 

 

"Podemos então afirmar que mais importante do que a dimensão da exposição mediática

 

foi a qualidade dessa mesma exposição... "

 

 

 

 

 

Podemos então afirmar que mais importante do que a dimensão da exposição mediática foi a qualidade dessa mesma exposição. O público não-surfista, com memória curta e atenção dispersa,  já se esqueceu daquele incidente. E assim, o surf competitivo continua ansioso à procura da tão desejada ribalta mediática, com o circuito mundial sempre periclitante. Mas nós surfistas recordar-nos-emos com orgulho destes dois surfistas por sentirmo-nos identificados com eles.

 

* Por Pedro Quadros

 


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