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quinta, 20 novembro 2014 12:20

A AMÉRICA TEM O DONAVON FRANKENREITER, NÓS TEMOS O BERG

Berg tem um disco novo. Chama-se “Berg” porque é mais simples, o que não é estranho, já que simples é um adjectivo que também assenta bem ao nosso músico-surfista. Ou será surfista-músico?

Mais conhecido por Berg, Teófilo Sonnemberg faz surf da mesma maneira que toca, e acima de tudo da mesma forma que vive: com uma entrega total.
Aliás, Berg faz parte dum grupo cada vez mais alargado de pessoas que começaram a fazer surf depois dos 30 anos de idade, o que só comprova que os 30 são os novos 20. Não é que o surf tenha sido uma decisão verdadeiramente consciente da sua parte, foi antes um prolongamento natural do snowboard, modalidade que praticava na Suiça, e ao mesmo tempo uma consequência natural de morar com uma das melhores ondas da capital por quintal, a da Costa da Caparica.

Aconteça o que acontecer, Berg não tenciona deixar de surfar enquanto for capaz de o conseguir fazer, porque é a sua forma de se manter equilibrado, mesmo que o oceano seja mais exigente do que a neve e ele já tenha tido o seu quinhão de sustos dentro de água. A quem isso nunca aconteceu?
O importante é que, cada vez que Berg sai da água, fá-lo com um sorriso ainda mais rasgado do que aquele que lhe é natural, e isso ajuda-o ainda mais na sua outra paixão igualmente avassaladora: a da música. Não há noite de concerto que possa correr mal se de manhã tiver havido uma boa surfada, na verdade não há mesmo nada que possa correr mal se de manhã tiver havido surf.

Ainda que o surf tenha surgido tarde na sua vida, a música apareceu logo aos 9 anos. Embora tenha começado a tocar sozinho, isso já não acontece, pois graças ao programa Factor X não há em Portugal quem não o conheça. É o próprio Berg quem considera o programa “super necessário e uma forma de promoção incrível”, sobretudo porque a decisão de participar foi espontânea, e em retrospectiva provavelmente a melhor da sua vida.

 

Na música as suas preferências podem ser eclécticas sem deixar de ser clássicas com estilos como soul, reggae, r&b e afro como referências assumidas, mas no surf o seu gosto pende mais para o progressivo com o demiurgo aquático Kelly Slater a figurar no topo,  e John John Florecence, Dave Rastovich e como não podia deixar de ser, Donavon Frankenreiter nos lugares seguintes. Claro que portugueses como Kikas, Saca, Guedes ou Vasco Ribeiro não ficaram esquecidos, pois “cada vez há mais surfistas de qualidade.” 

A simbiose perfeita de todas essas preferências pode ser ouvida no disco que editou ontem e que já está esgotado. São vários os temas que exalam surf, quer através do reggae e do soul, quer porque não há como a modalidade  não deixar a sua marca em tudo o que se faz na vida.

Agora que Berg interrompeu uma tour que dura há 10 meses para fazer a promoção do disco, consegue respirar um pouco, apesar do corrupio de entrevistas que tem pela frente. Assim, a SurfTotal fica a saber que para o ano haverá datas no estrangeiro, algumas em locais ideais para a prática do surf, sendo a Austrália uma forte possibilidade. Afinal, pode-se tirar o rapaz do surf, mas não se pode tirar o surf do rapaz.

Apesar de se poder pensar que, já que a maior parte das pessoas canta no duche, Berg poderia cantar no line-up, isso não acontece. Em vez de cantar, o músico passa grande parte do tempo a falar. Não só como forma de quebrar barreiras e fazer amizades, mas também para obter informações sobre os spots.
Ainda que tenha bastantes pranchas, desde a longboard que merece um carinho especial até à Mini-Malibu, passando pela Al Merrick, Berg consegue ter ainda mais instrumentos, que à semelhança das tábuas vão a todas. Há guitarras de vários tipos, diversos baixos, duas baterias, teclados, sintetizadores e até instrumentos medievais, o que atesta ao gosto variado de Berg em tudo o que faz.

Se fizesse um filme de surf, a banda sonora era seria composta por alguns temas seus, alguns originais de Dave Grohl dos Foo Fighters, assim como pelos Massive Attack “mais na onda do Teardrop”.  Para o filme ser totalmente ao seu gosto, nada como retratar uma sessão de surf com Alana Blanchard na Indonésia. Por enquanto ainda não se paga para sonhar, certo?

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