Saída de Gabriel Medina da Rip Curl agita indústria do surf e pode marcar nova era nos patrocínios
Estará a acabar a era dos “patrocínios vitalícios” no surf?
A recente saída de Gabriel Medina da Rip Curl, após 16 anos de ligação, continua a gerar ondas — desta vez fora de água. O tema foi amplamente debatido no podcast Pinch My Salt (#107), apresentado por Sterling Spencer e Cousin Ryan, que analisaram o impacto desta decisão no futuro dos contratos, das marcas de surf e do próprio modelo de carreira dos surfistas profissionais.
Fim de uma era nos patrocínios?
Medina, tricampeão mundial e uma das maiores estrelas globais do surf, era visto como um exemplo clássico de relação de longo prazo entre atleta e marca. A sua saída levanta uma questão central: estará a acabar a era dos “patrocínios vitalícios” no surf?
No podcast, Spencer sugere que o mercado está a mudar rapidamente. Em vez de contratos longos com marcas core de surf, muitos atletas de topo procuram:
Acordos mais curtos e flexíveis
Parcerias com marcas fora do surf
Colaborações pontuais (“collabs”)
Maior controlo sobre imagem e receitas
Segundo os comentadores, o modelo tradicional — em que as marcas investiam fortemente em equipas, filmes de surf e carreiras de décadas — está a perder força.
Marcas históricas sob pressão
O debate levanta ainda dúvidas sobre o posicionamento de marcas históricas como Billabong, Quiksilver e Volcom. Estas empresas ajudaram a construir a cultura competitiva e mediática do surf nas últimas décadas, mas enfrentam hoje um mercado fragmentado e uma nova geração de atletas com prioridades diferentes.
A pergunta implícita é direta: as marcas já não conseguem oferecer o que os surfistas de elite procuram?
O surfista moderno é também criador de conteúdo
Outro ponto forte da conversa é a transformação do “pro surfer” em criador de conteúdo e entertainer. Vlogs, YouTube e podcasts estão a ganhar peso face aos tradicionais filmes de surf e campanhas de marca.
Exemplos como os projetos digitais de John John Florence são citados como sinal de uma mudança estrutural: o surfista pode hoje falar diretamente com a sua audiência, sem depender exclusivamente das marcas.
Isso altera o equilíbrio de poder. O atleta deixa de ser apenas “rosto de marca” e passa a ser também media channel.
Movimento estratégico ou sinal de rutura?
A saída de Medina pode ser vista de duas formas:
Movimento estratégico inteligente
Maior liberdade comercial
Possíveis contratos mais lucrativos
Diversificação de parcerias
Ou sinal de rutura na indústria
Fragilidade do modelo tradicional
Menor investimento das marcas core
Transição para um mercado mais instável
Seja qual for a leitura, uma coisa é clara: quando um dos maiores nomes do surf mundial muda de rumo, toda a indústria presta atenção.
2026 poderá ser ano de viragem
O debate do Pinch My Salt reflete uma perceção crescente dentro da comunidade: o surf profissional está em plena transição. Entre nostalgia da “velha guarda” e novas oportunidades digitais, o modelo de carreira do surfista de topo está a ser redesenhado.
A saída de Medina pode não ser o fim de uma era — mas é, no mínimo, um forte sinal de que ela está a mudar.





