Saída de Gabriel Medina da Rip Curl agita indústria do surf e pode marcar nova era nos patrocínios sábado, 07 fevereiro 2026 14:23

Saída de Gabriel Medina da Rip Curl agita indústria do surf e pode marcar nova era nos patrocínios

Estará a acabar a era dos “patrocínios vitalícios” no surf?

A recente saída de Gabriel Medina da Rip Curl, após 16 anos de ligação, continua a gerar ondas — desta vez fora de água. O tema foi amplamente debatido no podcast Pinch My Salt (#107), apresentado por Sterling Spencer e Cousin Ryan, que analisaram o impacto desta decisão no futuro dos contratos, das marcas de surf e do próprio modelo de carreira dos surfistas profissionais.

Fim de uma era nos patrocínios?

Medina, tricampeão mundial e uma das maiores estrelas globais do surf, era visto como um exemplo clássico de relação de longo prazo entre atleta e marca. A sua saída levanta uma questão central: estará a acabar a era dos “patrocínios vitalícios” no surf?

No podcast, Spencer sugere que o mercado está a mudar rapidamente. Em vez de contratos longos com marcas core de surf, muitos atletas de topo procuram:

  • Acordos mais curtos e flexíveis

  • Parcerias com marcas fora do surf

  • Colaborações pontuais (“collabs”)

  • Maior controlo sobre imagem e receitas

Segundo os comentadores, o modelo tradicional — em que as marcas investiam fortemente em equipas, filmes de surf e carreiras de décadas — está a perder força.

Marcas históricas sob pressão

O debate levanta ainda dúvidas sobre o posicionamento de marcas históricas como Billabong, Quiksilver e Volcom. Estas empresas ajudaram a construir a cultura competitiva e mediática do surf nas últimas décadas, mas enfrentam hoje um mercado fragmentado e uma nova geração de atletas com prioridades diferentes.

A pergunta implícita é direta: as marcas já não conseguem oferecer o que os surfistas de elite procuram?

O surfista moderno é também criador de conteúdo

Outro ponto forte da conversa é a transformação do “pro surfer” em criador de conteúdo e entertainer. Vlogs, YouTube e podcasts estão a ganhar peso face aos tradicionais filmes de surf e campanhas de marca.

Exemplos como os projetos digitais de John John Florence são citados como sinal de uma mudança estrutural: o surfista pode hoje falar diretamente com a sua audiência, sem depender exclusivamente das marcas.

Isso altera o equilíbrio de poder. O atleta deixa de ser apenas “rosto de marca” e passa a ser também media channel.

Movimento estratégico ou sinal de rutura?

A saída de Medina pode ser vista de duas formas:

Movimento estratégico inteligente

  • Maior liberdade comercial

  • Possíveis contratos mais lucrativos

  • Diversificação de parcerias

Ou sinal de rutura na indústria

  • Fragilidade do modelo tradicional

  • Menor investimento das marcas core

  • Transição para um mercado mais instável

Seja qual for a leitura, uma coisa é clara: quando um dos maiores nomes do surf mundial muda de rumo, toda a indústria presta atenção.

2026 poderá ser ano de viragem

O debate do Pinch My Salt reflete uma perceção crescente dentro da comunidade: o surf profissional está em plena transição. Entre nostalgia da “velha guarda” e novas oportunidades digitais, o modelo de carreira do surfista de topo está a ser redesenhado.

A saída de Medina pode não ser o fim de uma era — mas é, no mínimo, um forte sinal de que ela está a mudar.

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