Rui Félix: “O surf português está diferente” Rui Félix: “O surf português está diferente” quinta-feira, 04 junho 2026 09:18

Rui Félix questiona modelo atual do circuito de surf esperanças e recorda o anterior modelo

O surf português está melhor hoje em dia ou há 20 anos? A pergunta foi lançada a Rui Félix no podcast O Pulsar do Surf, numa conversa sobre a evolução da modalidade em Portugal...

 

Num excerto do podcast O Pulsar do Surf, o antigo diretor técnico da FPS e da Federação Europeia de Surf compara o surf português atual com a realidade competitiva de há 20 anos

O surf português está melhor hoje em dia ou há 20 anos? A pergunta foi lançada a Rui Félix no podcast O Pulsar do Surf, numa conversa sobre a evolução da modalidade em Portugal, a formação de jovens atletas e o papel das estruturas competitivas no desenvolvimento do surf nacional.

Antigo diretor técnico da Federação Portuguesa de Surf e da Federação Europeia de Surf, Rui Félix respondeu sem reduzir a análise a uma comparação simples entre “melhor” ou “pior”. Para o histórico dirigente, o surf português está hoje “diferente, bastante diferente”, fruto da evolução natural da modalidade, do aumento do número de praticantes e das mudanças na forma como o surf se organiza em Portugal.

Um dos pontos centrais da reflexão de Rui Félix passou pelo antigo Circuito Nacional de Esperanças, que durante vários anos percorreu o país com várias etapas e juntava alguns dos melhores jovens surfistas nacionais.

 

“Há uns anos, quando existia o Circuito Nacional de Esperanças, era realmente um circuito. Eram cinco provas, feitas pelo país todo. Começou por ser o Circuito Nacional Lightning Bolt e depois passou para a Deeply. Era um circuito bastante competitivo”, recordou Rui Félix.

Para o antigo responsável técnico, esse modelo permitia maior continuidade competitiva e dava aos jovens atletas mais oportunidades ao longo da época. Rui Félix sublinhou também que havia surfistas espalhados por todo o país e uma dinâmica que envolvia diretamente os clubes locais.

 

“Era realmente um circuito”

 

“Havia uma mão-cheia de atletas que acabavam por chegar às seleções, mas também havia atletas espalhados por todo o país. Essa é, para mim, uma das grandes diferenças relativamente à realidade atual das esperanças”, afirmou.

A crítica principal de Rui Félix prende-se com a redução da margem de erro para os jovens surfistas quando o apuramento ou a definição competitiva depende demasiado de provas únicas. Na sua visão, esse modelo pode penalizar atletas que estejam menos bem num determinado fim de semana ou que, por doença ou qualquer outro imprevisto, falhem uma oportunidade decisiva.

“Sempre achei que o caminho das esperanças deveria passar por um verdadeiro circuito, e não por um pequeno campeonato regional em que o melhor de cada região vai depois fazer uma prova única. Se nesse fim de semana estiver mal, se estiver doente ou se as coisas não lhe correrem bem, o ano dele praticamente acaba ali”, explicou.

Rui Félix destacou ainda a importância que o antigo modelo tinha para os clubes. Mesmo com o apoio de marcas, o circuito era, segundo o próprio, uma estrutura que valorizava a organização local, o território e o trabalho desenvolvido pelos clubes junto dos atletas mais jovens.

 

“O Circuito de Esperanças, naquela altura, valorizava outra coisa. Era feito com os clubes e valorizava a organização dos clubes. Mesmo tendo o patrocínio de uma marca, era um circuito que dava importância aos clubes, ao território e à continuidade competitiva dos atletas”, acrescentou.

A reflexão surge numa altura em que a nova geração do surf português volta a estar em destaque, com a realização do CN Surf Esperanças / Rip Curl GromSearch 2026, em Ribeira d’Ilhas, na Ericeira, entre 4 e 7 de junho.

“Se um atleta está mal numa prova única, o ano dele morre”

O debate lançado por Rui Félix toca num ponto central para o futuro da modalidade: que modelo competitivo serve melhor o desenvolvimento dos jovens surfistas portugueses? Um sistema mais concentrado, com provas de decisão única, ou um circuito nacional mais longo, com várias etapas, maior regularidade e mais oportunidades para os atletas crescerem em competição?

Num momento em que Portugal continua a formar surfistas de qualidade internacional, a discussão sobre as bases da formação, o papel dos clubes e a estrutura dos escalões de Esperanças mantém-se mais atual do que nunca.

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