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quinta, 20 setembro 2018 11:03

Um país sem roque nem rei - parte 2

Tópico turismo e turistas estrangeiros volta a estar na ordem do dia… 

 

Com o passar dos anos já todos devem saber que o Surf, por exemplo, é cada vez uma parte mais importante da estratégia delineada pelo Turismo de Portugal. A aposta de Portugal está estruturada e assenta, basicamente, na gastronomia, no património, na História, e, claro, no surf. Não há como, a costa é vasta, as praias são boas e as ondas idem idem aspas aspas. 

 

A oferta turística, onde o surf se insere, tem vindo a crescer, mas parece que nem todos a percebem da melhor forma. Há precisamente um ano atrás, a Surftotal já tinha tocado no aspeto de este se estar a tornar num país “sem roque nem rei” (ver peça aqui), face aos atropelos e à falta de civismo dos turistas, aqui e ali, cada vez mais recorrentes e alarmantes. 

 

Hoje, após vermos a publicação de um texto de Miguel Mouzinho no Facebook, decidimos trazer o tema novamente para cima da mesa. Porra, o Miguel é um dos surfistas algarvios de referência e sabe do que fala. Não fala da boca para fora! E o tema urge ser debatido. 

 

Eis então a mensagem do Miguel (transcrita na íntegra):

 

"Portugal / Algarve

Não sei bem como começar, mas queria partilhar convosco isto:

Custa-me tanto viver no meu país com estes turistas! A falta de respeito, o uso abusivo dos parques de estacionamento, a sujidade sem conta, entre tantos outros abusos começam a chegar ao ridículo!

Sem que as autoridades façam nada!

“Ok” que já não tenhamos lugar para estacionar o nosso carro na praia por causa das centenas de caravanas, autocaravanas, etc.; que pernoitam todo o ano nos parques junto às nossas praias.

“Ok” que esteja tudo sujo à volta destas mesmas caravanas e ao redor das praias.

“Ok” que não gastem o vosso dinheiro no nosso país e abasteçam o combustível em Espanha e tragam comida de casa nos vossos países.

“Ok” que não tenham respeito por quem aqui vive.

Estes são alguns pontos que TODOS nós já conhecemos.

Agora, perceber que no meu país as Bolas de Berlim por vezes são apreendidas a pessoas, PORTUGUESES, que fazem pela vida há imensos anos para sobreviver a vender nas praias, a pagar impostos, etc. Ver autocaravanas com turistas de muito pouca qualidade a vender sem nenhuma autorização, totalmente ilegal a venda de álcool, tabaco, entre outros “produtos”, é muito frustrante!”

 

Também Gonçalo Boavida, surfista há mais de 30 anos e fundador da TakeOff Surf Travel, que viaja constantemente pela Costa Vicentina, enfatizou o problema:

 

"O aumento do número de autocaravanas a percorrer o nosso país nos últimos anos é mais que notório chegando-se à situação de descontrolo absoluto que vivemos na costa vicentina do Alentejo e Algarve.

O problema já foi exposto por diversas vezes, mas a verdade é que o mesmo tem vido a agravar-se de ano para ano, quer na quantidade de autocaravanas a fazerem das nossas frentes de praia casa permanente de forma selvática, quer no tipo de fauna que as transporta. E agora com as novas empresas e plataformas de partilha de caravanas à lá Airbnb em franco crescimento a situação irá certamente agravar-se.

Não estamos preparados e não temos infraestruturas para receber este tipo de turismo na quantidade atual, sendo ainda discutível, na minha opinião, o valor e interesse do mesmo para a nossa região ou país.

No caso do sudoeste algarvio estamos a falar de centenas de caravanas a ocupar os estacionamentos disponíveis junto a praias outrora “virgens”, como o Barranco, Figueira, Carrapateira, Canal, etc.; durante largos períodos, um grupo alargado que faz das dunas casa de banho, despeja sanitas químicas e larga lixo por todo o lado.   Um “turista” que pouco consome (faz as compras nas grandes superfícies e pouco mais) e nos desgasta a vários níveis (dos recursos à imagem que queremos passar como destino turístico).

Acredito que falte legislação para controlo do problema, infraestruturas adaptadas à pressão deste tipo de turismo e por fim controlo, pois implementarmos medidas sem posterior fiscalização de pouco servirá."

  

E agora perguntamos nós: 

 

Qual impacto de tal desordem? Quais os danos para o Turismo e o Ambiente? 

Até quando isto vai continuar a acontecer?

Turismo e turistas? Claro que sim. Mas daqueles que respeitam o país. 

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